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Palestra convida empresários a apostarem na exploração mineral

O consultor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Newton Reis Monteiro, um dos maiores especialistas na área, ministrou palestra na manhã de ontem,  sobre a exploração e produção de petróleo e gás no Estado. O evento foi sediado no auditório da Federação das Indústrias do Acre (Fieac).

A Bacia do Acre está incluída no processo licitatório do leilão da ANP, prevista para acontecer no dia 30 de novembro deste ano. Estima-se que, em 2 anos, a exploração do petróleo seja iniciada na região do Vale do Juruá, informa Monteiro. “Estou extremamente otimista com relação ao Acre. Todos os números indicam que tem óleo. A melhor coisa é que o estado é vizinho de um local que tem muito óleo, que é o Peru”.

O objetivo da palestra também era convidar os empresários a investirem em poços de petróleo no Acre. Os valores são altos. A perfuração de 5 poços, por exemplo, deve custar R$ 60 milhões. Porém, segundo o governador Tião Viana, o retorno do investimento é garantido em 6 meses.

“Nesse pequeno intervalo de tempo, é possível montar uma unidade de produção e poder comercializar. Isso é de grande oportunidade para mudar a economia do Estado. Assim, o pequeno e o médio empresário terão a oportunidade de viver essa fronteira econômica que está por vir. Além disso, assegura que os recursos quem virão para o governo sejam para o desenvolvimento socioambiental”, destaca.

De 2007 até agora, mais de R$ 100 milhões foram investidos em estudos e levantamentos físicos, sísmicos e geoquímicos, para examinar a possibilidade e condições de prospecção de gás natural e petróleo na região do Juruá, relata Tião Viana.

O senador Aníbal Diniz (PT) é um dos grandes incentivadores da iniciativa. De acordo com ele, apostar nesta exploração significa dar novos rumos à economia acreana. “O debate de hoje serviu para tirar muitas dúvidas e para dar total segurança de que, na medida em que temos petróleo no Peru e que temos petróleo e gás no Amazonas, há grandes probabilidades de termos jazidas viáveis dentro da Bacia Sedimentar do Vale do Juruá. Estamos muito esperançosos de que estas jazidas sejam viáveis e que possam significar uma redenção econômica para o povo do Vale do Juruá. Será uma contribuição importante para aquela região”.

O parlamentar alega que o Acre utiliza de energia suja e cara. “Usamos toda a energia termoelétrica de Manoel Urbano até Cruzeiro do Sul. A partir do momento em que a gente tenha esta exploração de gás concretizada, vamos estar, no futuro, deixando de ser um importador de energia para sermos um exportador”, idealiza.

Governo garante compromisso com o meio ambiente
Uma questão levantada acerca do assunto foi o destino das áreas de proteção ambiental. Tião Viana declara que fazer uma exploração inconsequente não é compatível com as políticas sustentáveis do governo do Acre. “Qualquer problema maior detectado, que comprometa o meio ambiente, será motivo suficiente para deixarmos os trabalhos”, promete.

O gestor afirma que todas as áreas protegidas foram levadas em conta. A garantia é de que o impacto ambiental seja mínimo, já que a coleta do petróleo requer uma pequena área.

Início dos trabalhos pode gerar emprego no Vale do Juruá
Cerca de 700 homens trabalharam durante a etapa preliminar da exploração, em Cruzeiro do Sul. Segundo Tião Viana, o investimento de empresários na área irá gerar empregos.
“Estamos diante de uma potencialidade imensurável. Temos todas as possibilidades de obter suceso”.

Mas, para isso acontecer, é preciso que os empresários se sintam encorajados a entrar no projeto. Diante disso, o consultor Newton Monteiro se compromete em assessorar os grupos econômicos. “Não é só o governo que tem que correr o risco, mas também o empresário. Os apostadores precisam de linhas de crédito para entrarem com investimentos”, explica. “O Acre tem potencialidade de geração do petróleo. Só basta descobrir onde. Podem contar comigo pra isso”, acrescenta.

Bacias Sedimentares- Durante a palestra, Newton Monteiro alegou a necessidade em intensificar a atividade exploratória no Estado. Segundo ele, há 11 poços exploratórios na Bacia do Acre, na região do Juruá. Estes poços entrarão no leilão da ANP em novembro deste ano.

As bacias acreanas são extensões de províncias produtoras, explica monteiro. “Existe um alto custo para transportar combustível para o Acre e estados vizinhos. Se viabilizada a área, poderíamos pensar em uma pequena refinaria remota ou planta de diesel, a partir de gás natural ou da geração termoelétrica”, planeja.