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Debate acalorado no encontro de produtores extrativistas

DEBATE incraO auditório da Escola da Floresta foi palco de um acalorado debate na tarde de quinta- feira, 13, no evento do Incra e ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) sobre Assistência Técnica Social e Ambiental (Ates), programa que atenderá 3900 famílias de produtores extrativistas das reservas Chico Mendes, Alto Juruá e Cazumbá-Iracema. O debate contou com José Carlos Reis, Secretário da Sepn (Secretaria de Estado de Pequenos Negócios), Lourival Marques, da Seaprof (Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar) e João Rodrigues, analista de crédito do Banco da Amazônia, responsável pelo setor de crédito para agricultura familiar.

Cada membro da mesa apresentou os principais projetos de seu setor relacionados com os produtores extrativistas e os técnicos da Ates que irão prestar o atendimento as famílias a partir de março deste ano. Uma questão chave levantada pela platéia envolve o Banco da Amazônia quanto a dificuldade de acesso ao crédito para os pequenos produtores rurais, principalmente  mulheres e jovens.

Como resposta o representante do Basa repassou as necessidades cadastrais, aconselhando aos técnicos que auxiliem a população no correto preenchimento dos formulários, para adiantar o processo. Ele afirmou que é política da instituição destinar 30% dos empréstimos a mulheres, mas no Acre os pedidos mal chegam a 10%.

Outra questão polêmica foi referente a projetos dos produtores extrativistas que fracassaram. O professor de Economia da Ufac, Raimundo Claudio Gomes, que no mesmo evento havia realizado uma palestra sobre “como planejar pequenos projetos econômicos sustentáveis”, discordou da opinião da mesa quanto a culpa do fracasso. Para ele, sem um plano de negócio completo que envolva o estudo do mercado e viabilidade; que o governo e banco disponibilizem o crédito; e o técnico preste  assistência, o projeto não se torna lucrativo e a dívida fica no nome do produtor. A responsabilidade, portanto, deveria recair sobre o governo e instituições que elaboraram o projeto, e sobre o banco que o financiou.

A mesa discordou de forma unânime, ressaltando que o produtor também teria culpa neste processo. E o secretário Lourival Marques, da Seaprof, afirmou que o produtor rural deve ter conhecimento acerca do negócio no qual irá investir. A discussão continuou de forma democrática e o secretário da SEPN, José Carlos Reis, reclamou das universidades em geral, dizendo que elas deixam a desejar no compartilhamento e aplicação de seus conhecimentos junto as populações rurais.

Mas foram reconhecidos também alguns erros do governo no passado, como nos projetos de pupunha e pimenta longa, que apresentaram falhas de planejamento na cadeia de produtividade e por isso não foram pra frente. Os secretários afirmaram que o governo aprendeu com esses erros.

Na palestra do professor Raimundo Claudio, anterior ao debate, ele havia citado os exemplos de planos que fracassaram e também mostrou o contraponto, um projeto que virou sucesso que foi o da castanha do Brasil. E lembrou que o diferencial para o sucesso foi o estudo do mercado, que precisa conter informações sobre os custos e meios de produção, saber para quem vender, ter informações sobre os concorrentes e saber como comercializar.

Para finalizar o debate, Márcio Alécio, representante do Incra, reiterou a importância da discussão para a melhoria da prestação dos serviços às comunidades e também a necessidade da comunicação entre os órgãos do governo, demais instituições e sociedade, afim de avançar com os projetos de desenvolvimento. (IACO MARTINS)