O madeira e a berinjela

A enchente do Madeira já passa de um mês, a Situação de Emergência completa um mês e a alagação pode continuar cobrindo trechos da BR-364 por mais um mês.

O Acre decretou Situação de Emergência no dia 26 de fevereiro. Dois dias depois a medida foi reconhecida pelo Governo Federal. Desde então Tião Viana governa em reunião permanente com a Defesa Civil, numa prontidão que aciona constantemente autoridades federais, envolve as instituições e mobiliza empresários de todos os setores. É um esforço extraordinário que vai ao extremo do possível para garantir a normalidade da vida da população acreana.

Criando alternativas de abastecimento, o Acre rompe o isolamento. É notável que se tenha conseguido prover produtos essenciais para vencer uma emergência que já passa de um mês, como é seguro que o Estado se mostra preparado para enfrentar o sufoco que a enchente do Madeira ainda vai impor por muitos dias.

Gás de cozinha e combustíveis para automóveis estão garantidos. Alimentos e remédios chegam por soluções que vão dos voos da FAB à importação do Peru. Tudo isso é mérito do trabalho, da colaboração e da solidariedade de muitos.

O controle de uma situação assim não é possível sem o envolvimento e a colaboração da população, o que exige a transparência dos fatos e notícias. Por isso, nesse momento, o maior inimigo público é a informação desencontrada. Redes sociais repercutem fácil um comentário equivocado – ou mal-intencionado. E num instante uma maldade, um gesto involuntário ou uma brincadeira mal colocada se faz boato para provocar pânico, induzir o armazenamento desnecessário de produtos, produzir filas em postos de gasolina.

É preciso compreender que não se passa uma situação de emergência sem transtornos. O abastecimento essencial implica em assegurar o que é indispensável, sendo necessário substituir alguns itens por similares e inevitável faltar supérfluos.

Cabe ao Governo cuidar da contingência já pensando em um plano de recuperação econômica para depois da catástrofe. Há uma notória compreensão pública dessa responsabilidade, embora alguns prefiram se dar ao luxo de reclamar da falta da berinjela tendo o tomate e a cebola na prateleira.

* Gilberto Braga de Mello é jornalista e publicitário.
E-mail: [email protected]

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