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Cratera na Avenida Beira Rio cresce com vazante do Rio Acre e moradores temem uma tragédia

Deslizamento de terras - OL 1Os moradores da Avenida Beira Rio, no bairro Cidade Nova, vivem uma verdadeira novela. Há quase 2 décadas uma cratera destruiu parte da passagem. Durante esse tempo, houve apenas uma tentativa de resolução do problema, segundo os moradores, mas isso já faz 8 anos. Agora, com uma vazante brusca do Rio Acre, as famílias que moram na redondeza temem o desbarrancamento de suas casas a qualquer momento.

A Avenida Beira Rio fica próximo ao Rio Acre. A cada período de cheias, o local é completamente inundado. Todos os anos, quando as águas começam a baixar, levam junto alguns metros a mais do asfalto que um dia já serviu para o tráfego de veículos. A última cheia já engoliu aproximadamente 6 metros da cratera, apontam os moradores.

Um deles lembra que na gestão do ex-prefeito Raimundo Angelim o buraco recebeu alguns reparos, mas que foram destruídos na enchente do ano seguinte.

O servente de pedreiro José Lenilson Aguiar mora no local com a esposa e quatro filhos. Na alagação deste ano, ele afirma que não saiu de casa, com medo de ser roubado. “Já não temos muito e, indo para os abrigos, corremos o risco de perder isso também. Vivemos assustados com a possibilidade de o nosso lar ser engolido por este imenso buraco. O que me revolta é ver políticos se aproveitando da nossa situação para fazer promessas e nada cumprirem. Posso ser pobre, mas não sou mentiroso. A miséria aqui é tão grande que passamos 4 dias comendo banana e bolacha, porque nem água tratada tinha”, relata.

Desempregado, o morador Arconcio Furtado de Arruda, 39 anos, conta que vive no local desde que nasceu. Nesse tempo, viu uma avenida ser engolida. O buraco passou muito tempo sem sinalização, o que causou alguns acidentes, incluindo a queda de uma criança e de um motociclista. Depois de pedidos, a Rbtrans tomou providências. Ainda assim, ele denuncia a negligência das autoridades. “Não quero desmerecer o trabalho de ninguém, mas a Defesa Civil vem aqui e diz que não há risco iminente. Como não, se a cratera já chegou à minha porta? Vivo aqui com minha mãe, que é idosa e que tem medo de morremos soterrados”, declara.

Arconcio afirma que alguns dias atrás o prefeito Marcus Alexandre esteve no local e prometeu providências. “A gente se reuniu aqui mesmo e nos foi garantido que este problema seria reparado. Acredito nele, mas queremos agilidade. Esse foi o primeiro prefeito a vir conferir a situação de perto”.

Ainda de acordo com ele, os moradores do lado direito da rua, ou seja, os ribeirinhos, já estão escritos no Cidade do Povo. No entanto, outras pessoas, como o vigilante Ricardo Barros, também gostariam de ser incluídas no programa.

“Minha mulher saiu de casa, porque tinha medo de morrer engolida pela terra. O problema é generalizado. Não adianta beneficiar apenas alguns. Todos dessa parte da avenida estão em situação de alerta. Minha casa, por exemplo, fica a menos de quatro metros do buraco. Um geólogo da Ufac já fez um levantamento e avaliou que este solo não é propício para a moradia”, aponta. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)