Mulher que teve parto realizado na recepção da maternidade diz que vai processar o Estado

Simone ficou apavorada e diz que exigirá seus direitos. (Foto: Cedida)
Simone ficou apavorada e diz que exigirá seus direitos. (Foto: Cedida)

A dona de casa Simone Santiago, 28 anos, entrou em trabalho de parto, no último dia 24, e deu à luz em uma cadeira, na recepção da Maternidade Bárbara Heliodora. A mulher, que saiu do município de Capixaba, disse que vai processar o Estado pelo constrangimento que passou.

Simone contou que ficou com medo, pois já tinha escutado relatos de outras mães que reclamaram do atendimento na maternidade. Ela afirmou que seu maior temor era de que sua filha morresse durante o parto.

“Vou processar o Estado. Tudo aquilo representou perigo para a vida da minha filha e a minha. Tive medo que ela caísse da cadeira e morresse. Foi uma humilhação. Eu já conhecia a fama da maternidade, tinha ouvido relatos sobre isso e fiquei preocupada. Fui exposta para todas que estavam ali na recepção. Fiquei com vergonha, pois estava naquela posição desagradável. Me sinto péssima”, desabafou a mãe.

Segundo Simone, ela e a tia chegaram à maternidade por volta de 5h do dia 24. A mulher passou por uma triagem, e uma enfermeira informou que ela estava apenas com cinco centímetros de dilatação, por isso, teria que esperar por uma pré-consulta. Mesmo com fortes dores, a dona de casa foi aconselhada a esperar por atendimento na recepção.

“Sou uma pessoa muito nervosa. Já tive três filhos antes da Valentina. Fizeram outro parto meu aqui e, apesar da demora, o atendimento foi bom. Vim para Rio Branco, porque achei que seria bem atendida. Não tinham outras grávidas para atendimento, mas, mesmo assim, não me encaminharam para um leito. Só queria que aquela dor passasse e minha filha nascesse. Não sei nem se esterilizaram a tesoura que usaram para cortar o cordão umbilical”, relatou.

Um cinegrafista amador fez um vídeo, que mostra a mulher gritando de dor enquanto era atendida por enfermeiros. Simone disse que jamais pensou em viver uma situação desse tipo, e que o sentimento é de vergonha.

A filha recém-nascida recebeu o nome de Valentina. De acordo com a mãe, o motivo para escolha, é que a filha foi muito valente, apesar de todas as dificuldades que enfrentou logo no nascimento. “Escolhi esse nome porque ela é valente só por ter nascido. Por tudo que ela passou tem que ter esse nome. Minha filha vai ser uma guerreira”, finalizou.

Secretaria de Saúde vai avaliar o caso
Irailton de Lima, secretário adjunto de Saúde, informou que será realizada uma avaliação, a fim de identificar os motivos que levaram a mulher a dar a luz na recepção da maternidade. Ele acrescentou ainda que a paciente é multípara, ou seja, já teve mais de um filho e, por isso, teria facilidade para o parto normal.

“Houve uma avaliação médica e foi entendido que como ela estava com apenas cinco centímetros de dilatação demoraria cerca de duas horas para o parto ocorrer. Entretanto, houve uma intercorrência que foge a normalidade, e o parto aconteceu em dez minutos. Estamos trabalhando nisso e será feita uma capacitação com a equipe de acolhimento. Além disso, uma nova orientação para a classificação de risco de modo que pacientes com o perfil dela sejam avaliados diretamente na observação ao invés de no ambulatório”, explicou o secretário.

Mudanças na Maternidade
A Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) anunciou na segunda-feira, 27, novas medidas que deverão ser colocadas em prática. Melhor orientação da equipe de acolhimento sobre procedimentos para casos de paciente em trabalho de parto em estado avançado e fortalecimento da gestão, por meio do reforço da cadeia de comando, são algumas das estratégias a serem desenvolvidas.

Além disso, ações de humanização e a implantação da gestão clínica sob orientação do Hospital de urgências e Emergências de Rio Branco (Huerb), da nova área de ambulatório e de 15 novos leitos, devem ser iniciadas de imediato. Os novos leitos contam com quartos tipo suíte, um terá banheira, no caso de a mãe desejar realizar o parto na água.

Também será orientado para que os municípios de Acrelândia, Senador Guiomard e Plácido de Castro assumam os partos da localidade. O objetivo é diminuir o fluxo de mulheres que vêm do interior dar à luz, contribuindo para desafogar o atendimento na unidade de saúde. (Com informações do portal G1/Acre e Agência de Notícias do Acre)

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