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Francisco Assis
Francisco Assis dos Santos é filósofo e humanista. Email:[email protected]

Urge pensar!

As tais “redes sociais” estão aí  reverberando, a cada minuto,  a realidade sobre o dramático e assustador perfil do homem no mundo atual.  O homem levou o mundo ao caos social, desordem e insegurança completa. Desordens públicas, demonstrações e combustões ocorrem em vários pontos do planeta, quase todos os dias. Em algumas regiões, com suas guerras intermináveis e endemias, as pessoas vivem uma atmosfera de medo e pavor, ou terror.

Alguém tem dito, com razão, que o dilema do homem  moderno é que ele não sabe quem é, ou em que consiste o significado de sua vida. O homem é o mesmo, em todas as partes do planeta. As suas aspirações, esperanças, sonhos, problemas e dificuldades são os mesmos, em essências, quer se encontre no coração da África ou no Brasil. Mudam as circunstâncias que o rodeiam, mas a natureza humana permanece essencialmente a mesma (Goethe).



Em nível de Brasil, vivemos, à flor da pele, a encarnação da antiga filosofia sofística. Nesta corrente filosófica, onde a moralidade varia de uma cultura para outra, nada está mais longe do pensamento que a representação dum mundo sombrio, tedioso, onde tudo se repete, pois o pensamento sofístico evoca muito mais a recreação, o acontecimento de um prazer inesperado, e até proibido. Aqui, queremos, já, a droga liberada de direito, pois de fato todos os lugares ou municípios dos rincões desta nação já estão completamente tomados pelo tráfico e consumo de drogas. As ruas de nossas cidades se transformaram em selvas de terrorismo, assaltos, estupros e morte. Morte por atacado, inclusive, como se testemunha com essas recentes chacinas.

Em tempos assim, diante desse quadro universal caótico, o bom senso pede que cada homem e mulher façam uma autocrítica, isto é, um auto-retrato da sua interioridade e do seu papel à luz deste cenário internacional sombrio, de caos total, com seus problemas de super população, crimes, racismo, drogas, crises econômicas, guerra, pobreza, fome e atos de terrorismo covardes. Nunca é demais repetir!

Pensar a partir do pressuposto de que a razão humana tem consciência não só dos direitos do homem, enquanto pessoa humana e pessoa cívica, mas também dos seus direitos enquanto pessoa social inserida no processo econômico e cultural. É a consciência centrada no equilíbrio entre o interesse individual e o interesse coletivo. Este equilíbrio não pode ser imposto de cima, como se fora um sonho totalitário de que fala Dostoiewsky nas páginas de Os Irmãos Karamazov.

Julgamento de consciência que leva o homem a pensar em plano mundial, considerar a espécie humana como um todo e o planeta como unidade de análise. Urge pensar na injustiça social e na tirania política, no impiedoso assassinato de fetos humanos dentro do ventre, na maldade e cinismo dos vendedores de drogas e dos produtores de pornografia, que fazem fortuna explorando a fraqueza das pessoas e à custa da ruína delas. Pensar nas vítimas do mal: os pobres; os famintos, os desabrigados e favelados que “vivem sob viadutos, pendurados em encostas, palafitas ou invadindo áreas públicas e privadas”. Os meninos de rua abandonados pelos pais, as crianças que não nasceram ainda, mas cujas vidas já são ameaçadas por causa de uma sociedade egoísta. Pensar na neurose massiva do tempo presente que leva o homem ao vazio existencial, nas minorias étnicas discriminadas, ou ainda no capitalismo ufano que põe à mostra seu lado mais desprezível, o de usurpar o labor do homem humilde.

Quando pensamos, alcançamos o patamar de quem tem opinião. No mundo, há muita informação e pouca, pouquíssima opinião. Quem pensa, procura e encontra respostas às questões fundamentais que o afligem, orientando-se na busca da verdade e na descoberta dos valores que dão sentido à sua vida

Quem pensa idealiza, arquiteta; afirma o que quer e o que não quer. Um exame de consciência, pode nos ajudar a sair dessa condição desumana, produto de tradições de pensamento onde a faculdade crítica foi adormecida e o julgamento abandonado, tendo como consequência uma sociedade completamente dominada por aqueles que determinam o que é bom ou mau, certo ou errado, justo e injusto.

Qualquer um, de nós, pode se negar a pensar: Por que tenho de pensar na situação do mundo? Por que me preocupar com as mazelas da vida? Não é bem melhor deixar pra lá, e deixar a vida me levar? Não, urge que pensemos! Não importa se pensamos bem ou mal, pois afinal existe uma tragédia muito maior que pensar bem ou mal. É o trágico silêncio!

*Pesquisador  Bibliográfico em Humanidades.
E-mail: [email protected]

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