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Servidores continuam paralisados e greve da Ufac completa 107 dias

A 107 dias de braços cruzados, os servidores e técnicos da Universidade Federal do Acre (Ufac), mantêm a paralisação por tempo indeterminado. Na última sexta-feira, 11, aconteceu uma assembleia entre reitoria e comando de greve. A reitoria anunciou que não haverá negociação da pauta local.

Mais de 40 universidades federais estão em greve no Brasil. O movimento nacional reivindica por melhores condições de trabalho, valorização salarial, reestruturação da carreira e mais vagas para docentes. Além disso, os professores defendem a autonomia da instituição e se mostram contrários aos cortes no orçamento.



Segundo o vice-presidente da Associação dos Docentes da Ufac (Adufac), João Lima, o governo apresentou propostas por escrito apenas para duas categorias e, estipulou o prazo de até hoje, para apresentar as propostas restantes. “Eles continuam com a proposta de se quer cumprir com a reposição salarial, para repor as perdas da inflação. Eles nos indicam a proposta de 21,5% pagos em quatro anos ou 10,8% em dois anos. Invariavelmente, essa proposta não repõe a inflação, não é ajuste salarial. Portanto, não aceitamos esse tipo de resposta do governo”, explicou.

O vice-presidente destaca que a luta da categoria local, além das outras reivindicações é, principalmente, a reestruturação da carreira. “O governo reconhece que é preciso fazer reajustes na carreira, mas diz que é preciso ter paciência. Por isso, a greve continua. Acreditamos que até a próxima semana as negociações avancem”, disse Lima.

Hoje, uma nova assembleia reunirá a categoria grevista e, o vice-presidente afirma que a discussão sobre fim de greve não “vai sequer entrar na pauta”, afirmou. Ele acrescenta que o movimento foi fortalecido, porém, algumas categorias, como técnicos administrativos, estão avaliando as propostas do governo.

Lima questiona que o reitor da Ufac, Minoru Kinpara, declarou total apoio à greve da categoria no início da paralisação. Porém, após a construção da pauta local, que apresenta um conjunto de reivindicações, o reitor declarou por escrito que essa pauta era vencida e que já havia sido aprovada pelo Conselho Universitário. “Portanto, o reitor se nega a dialogar com o movimento de greve, alegando que é uma pauta de um pequeno grupo. Ele só pode desqualificar a pauta na mesa de negociação e não através de comentários no Facebook”, concluiu.

OUTRO LADO
Procurado pela equipe do jornal A GAZETA, o reitor Minoru Kinpara afirma que apoia o movimento grevista baseado na pauta nacional. Ele garante que houve um redirecionamento da pauta local para questões já aprovadas pelo Conselho Universitário, como livre acesso às dependências do campus, liberação de espaços para eventos religiosos, a contrariedade ao Hospital Universitário, entre outras pautas.

Ele reafirma que o espaço universitário é plural e, não há distinção de religião, esclarecendo boatos de que a universidade recrimina crenças. “Enquanto eu for reitor, eu afirmo que todos terão espaço dentro da universidade. Haverá espaços para ateus e não ateus, e suas devidas crenças. Todos podem ter suas crenças e deverão ser respeitados naquilo que acreditam”, declarou Kinpara.

De acordo com o reitor, aproximadamente 12 mil alunos estão sendo prejudicados com o movimento grevista. “Nós decidimos não abrir negociação sobre esses pontos de pautas por que eles foram recentemente discutidos no Conselho Universitário. O Conselho é a estância maior e superior dessa instituição. O reitor não está acima do Conselho Universitário, pelo contrário, ele tem que cumprir as decisões”, justificou.

Kinpara explica que a composição do Conselho Universitário é de 70% professores, 15% de alunos e 15% de técnicos administrativos, portanto, todos os segmentos da sociedade acadêmica estão representados pelo Conselho. “Eu não posso, enquanto gestão, e pela legalidade, negociar somente com uma categoria em um conselho que tem outras representações”, falou.

Por fim, o reitor aponta que o movimento grevista local está “pegando carona” no movimento nacional, para tentar rediscutir questões já vencidas e aprovadas pelo conselho. “A greve é justa, a pauta nacional é justa, mas, infelizmente, esse grupo se aproveita dessa greve. O objetivo é atacar a administração atual visando as eleições para reitor do ano que vem. Mas, mesmo assim, nós continuamos apoiando o movimento e abertos para dialogar com a categoria”, finalizou Kinpara.

Ufac: a greve do contraditório
Não ajo em defesa própria. O meu filho conseguiu defender o seu TCC e dar por concluídos os créditos do Curso de Engenharia Elétrica.

Mas convenhamos. Querer 45 dias de férias a partir de 2 de janeiro depois de uma greve de mais de 90 dias é esdrúxulo demais… Ah, senhores professores! Cadê o juízo?

Os nossos filhos são os nossos projetos. Por isto, queremos vê-los formados em nível superior. Eles próprios também têm os seus planos de vida, os seus sonhos. Alguém pensou no prejuízo que os ALUNOS e os seus PAIS estão tendo?…

Não. Ninguém pensa nisso. Interessa, sim, o próprio umbigo. O nosso público alvo – o aluno – que se dane!… Onde estão os reais democratas? Tudo é uma grande contradição encabeçada por gente que se diz douta e dona da verdade.

Lamentavelmente.

* Cláudio Mota é escritor

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