Com aumento dos casos de dengue no Acre, população deve ficar em alerta

O aumento dos casos de dengue em meio à pandemia de Covid-19 preocupa no Acre. Somente na primeira semana do ano, foram registradas 693 notificações da doença, o que representa uma elevação de 71,5% se comparado com o mesmo período de 2020, quando foram notificados 404 casos.

A cidade com maior número de casos este ano é Tarauacá (Foto: Divulgação)

Os dados são do Núcleo de Doenças de Transmissão Vetorial da Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) repassados ao Portal G1. A primeira semana do ano analisada pela secretaria é do dia 3 a 9 de janeiro.

A chefe do departamento, Márcia Andréa de Abreu, informou que os dados deste ano podem ainda sofrer alterações, uma vez que alguns municípios ainda estão atualizando o sistema. Ou seja, o número de notificações deve ser ainda maior.

Conforme os dados, a cidade com maior número de casos este ano é Tarauacá, que na primeira semana de janeiro registrou 269 notificações de dengue. No mesmo período em 2020, foram contabilizadas 52 notificações, o que representa um aumento de 417,3%. No dia 9 de janeiro, a prefeitura de Tarauacá informou que tinha 216 casos confirmados da doença.

No último dia 3, sete profissionais do Hospital Dr. Sansão Gomes estavam afastados após serem diagnosticados com dengue. Entre os servidores afastados com dengue estão cinco técnicos de enfermagem, um enfermeiro e um funcionário da recepção. Por conta da situação, a unidade chegou a atender no final de semana com 50% da capacidade.

Para também conter a doença, a secretaria de Saúde da cidade montou um plano de contingência. Uma das medidas que devem ser tomadas é a instalação de uma unidade sentinela para atendimento voltado somente aos casos de dengue.

Em Brasileia, o aumento nos casos fez com que os atendimentos no único hospital da cidade, o Hospital Regional do Alto Acre, quadriplicassem. O diretor-geral da unidade, Janildo Bezerra, informou que o hospital que normalmente atende cerca de 15 a 20 pessoas por dia, tem atendido até 80 pacientes com sintomas de dengue. O aumento, segundo ele, foi percebido desde o último dia 20 de dezembro.

Segundo os dados da Sesacre, Brasileia registrou 36 notificações de dengue na primeira semana do ano. No mesmo período em 2020 foram 10 notificações. Em todo o ano passado foram registradas 636 notificações e 159 casos confirmados da doença.

Ainda de acordo com os dados, no ranking dos municípios acreanos, Rio Branco aparece em segundo lugar com maior número de notificações de dengue, seguido de Cruzeiro do Sul, em terceiro lugar. A capital registrou 164 notificações da doença este ano e no mesmo período em 2020 eram 43 casos.

Já Cruzeiro do Sul teve 108 notificações em 2021. Em comparação com o ano passado, a cidade teve uma redução de 51,6%, já que na primeira semana de 2020 foram registradas 223 notificações de dengue.

As cidades de Jordão, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter não registram nenhuma notificação da doença na primeira semana do ano, segundo os dados.

 

Alerta para coinfecção por dengue e coronavírus

A coinfecção (dupla contaminação) – pelo novo coronavírus e pela dengue – já é uma realidade no Acre, segundo a chefe do Núcleo de Doenças de Transmissão Vetorial da Secretaria de Saúde do Acre. Márcia contou que são poucos os casos, mas que já há registros no estado e que a população precisa redobrar os cuidados.

“Estamos tendo casos de pessoas que estão tendo coinfecção, ou seja, estão apresentando dengue e Covid ao mesmo tempo. Isso pode acontecer e está acontecendo. Para alertar tanto os profissionais da saúde, quanto a população, no dia 28 desse mês vamos ter uma webpalestra com um infectologista e um cardiologista”, afirmou.

Ela alertou ainda para a importância de a população fazer a limpeza dos quintais das casas, eliminando recipientes que acumulem água para evitar a reprodução do mosquito Aedes Aegypti e a consequente infecção pelas doenças causadas por ele, como a dengue, zika e chikungunya.

“É muito importante que a população participe dessa luta, porque a maior parte dos criadouros do mosquito que transmite dengue, zika e chikungunya, está nos domicílios. Não é que se deva proibir de armazenar água, mas que armazene de maneira correta, limpando semanalmente os recipientes, escovando as paredes desses recipientes, mudando a água pelo menos uma vez por semana para impedir que o mosquito coloque seus ovos ali e que haja a reprodução dessa população de mosquito”, explicou.

Márcia falou ainda com relação ao atendimento médico em caso de dengue, zika e chikungunya. Segundo ela, normalmente, essas doenças se manifestam de maneira “leve” e não costumam evoluir para formas mais graves.

“Esses casos podem e necessitam ser avaliados por médicos da atenção básica. Só deve ser direcionado ou encaminhado para os hospitais aqueles casos graves ou quando o paciente vai na unidade básica e, na avaliação clínica do médico, ele acha que necessita de um atendimento de maior complexidade. Se isso não acontecer, o atendimento é na unidade básica de saúde. Hospital é para casos de urgência e emergência”, alertou.

 

Principais sintomas da dengue

*Dores fortes na barriga;

*vômitos persistentes;

*transpiração abundante;

*fraqueza;

*sonolência

*irritabilidade;

*dificuldades para respirar;

*dor de cabeça;

*hemorrágia (sangue no vômito ou nas fezes);

*dificuldade para urinar;

*febre

 

Pesquisa traz possível relação entre dengue e Covid-19

Pessoas com histórico de infecção por dengue apresentam sintomas mais leves ao contraírem o novo coronavírus e registram menor mortalidade causada pela Covid-19. A conclusão é de um estudo liderado pelo professor e presidente do Comitê de Gerenciamento de Crise da Covid-19 da Universidade Federal do Acre (Ufac), Odilson Silvestre. A pesquisa foi publicada na revista científica “Clinical Infectious Diseases”, da editora da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Ao todo, foram analisadas 2.351 pessoas infectadas pelo coronavírus em Rio Branco, com idade média de 40 anos, sendo que 49% eram do sexo masculino. Desse total, 1.177, ou seja 50%, relataram história prévia de dengue.

O estudo mostrou que apenas 23 pacientes foram assintomáticos para a Covid-19, sendo que desses 16 não tinham histórico de dengue e sete tinham. Após um acompanhamento médio de 60 dias foram registradas 38 mortes entre o grupo. Entre as vítimas fatais, 26 não tinham contraído dengue anteriormente e 12 tinham histórico de infecção por dengue. Ou seja, 68,4% dos óbitos por Covid-19 foram de pessoas que não tiveram a doença. (Iryá Rodrigues / Do G1 AC)

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