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Luísa Lessa
Luísa Galvão Lessa Karlberg é pós-doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montréal, Canadá; doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); membro da Academia Brasileira de Filologia; presidente da Academia Acreana de Letras; membro perene da IWA. Email: [email protected]

ARTIGO – Depressão e os efeitos causados pelo isolamento social

Depressão é transtorno traiçoeiro que transforma a vida num fardo difícil de suportar. Mesmo antes do coronavírus, já era considerada “o mal do século”. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a partir desta década, será a principal causa de absenteísmo.

A dificuldade de lidar com a solidão é um enorme desafio nestes dias de isolamento social. Manter o equilíbrio psicológico dentro de limites razoáveis, trancados em casa, amedrontados pelo vírus, longe das pessoas de quem gostamos, é um desafio assustador.

Lemos que no ano de 2017 a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou o relatório ‘Depression and Other Common Mental Disorders’ (Depressão e Outros Transtornos Mentais Comuns), a partir de dados coletados em 2015. Naquela época, a proporção da população global com depressão era estimada em 4,4%, ou seja, mais de 300 milhões de pessoas.

No Brasil, ainda de acordo com o relatório da OMS, a depressão atingia 5,8% (11,5 milhões de pessoas) e transtornos de ansiedade acometiam 9,6% (18,6 milhões).

Segundo a OMS, as causas da depressão são complexas e envolvem fatores sociais, psicológicos e biológicos. Entretanto, quem passa por algum evento de forte impacto na vida apresenta mais chances de ter depressão. Ou seja, desemprego, luto ou algum trauma pode desencadear o transtorno.

Além disso, é como “uma bola de neve”: a pessoa com depressão pode sentir mais estresse, impactando ainda mais a sua vida e a própria depressão de maneira negativa.

Se fosse feito um levantamento hoje, não há dúvidas de que o número de pessoas sofrendo de depressão seria ainda mais significativo. O motivo, claro, é a pandemia de Covid-19. Nestes tempos de isolamento social, não é raro que as pessoas sintam solidão, angústia e medos, seja de perder o emprego ou seja de contrair o novo coronavírus. Uma profunda depressão também pode ocorrer quando perdemos parentes ou amigos durante esta pandemia, sem sequer poderem ser velados.

Nesses casos de depressão, o ideal é não correr para o pronto-socorro, onde logicamente os profissionais da saúde estão mais envolvidos – de forma brilhante, aliás – com o tratamento de pacientes com sintomas de Covid-19, a ideia inicial é fazer uma autoavaliação da seguinte forma: Tem uma profunda sensação de tristeza? Não tem vontade de fazer absolutamente nada, dia após dia? Percebe que você mesmo está se desvalorizando? Tem sentimento de culpa por tudo? Faz previsão negativa do futuro? Faz avaliação negativa das outras pessoas? As barreiras que enxerga à sua frente parecem intransponíveis e sem saída? Queria colocar um fim a tudo?

Além disso, analise se tem cansaço excessivo, insônia à noite ou sonolência durante o dia todo, mal-estar. Outra avaliação é se houve alteração de seu apetite, para menos ou para mais. Então, mesmo que tenha um ou vários dos sintomas citados acima, não é motivo de pânico. Esforce-se para reverter… Ocupe o seu dia, faça atividades que lhe tragam prazer. Coloque uma música alegre, dance, pratique uma atividade física dentro de casa. Se vai assistir TV, prefira um programa que vá lhe deixar de alto astral, como comédias, por exemplo.

Rir é uma importante iniciativa para combater a depressão. O Dr. Eduardo Lambert, médico homeopata, escreveu um livro a respeito disso: “A Terapia do Riso”. Rir e sentir alegria chegam até a ser mecanismos naturais de autocura. Isso porque a sensação de bem-estar ativa a produção de algumas substâncias no cérebro, que reduzem o estresse e a depressão, assim como protegem contra problemas cardíacos e AVC (acidente vascular cerebral).

O relacionamento com outras pessoas, bater papo, é outro ponto fundamental contra a depressão. A quarentena não é justificativa para se isolar de amigos e familiares, que moram ou não juntos, porque podemos estar em contato por voz ou vídeo ou ainda por escrito. “O suporte e as relações sociais são favoráveis para a saúde mental, como um todo”, avisa o médico psiquiatra Dr. Henrique Gonçalves Ribeiro, do Hospital Sírio-Libanês e do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Outra iniciativa que vai ajudar quem quer evitar ou até quem já está sofrendo de depressão é praticar meditação. Há alguns aplicativos para celular e alguns vídeos no YouTube que ensinam a prática e, inclusive, oferecem meditação guiada. A meditação permite, além do relaxamento e promoção de bem-estar, que a pessoa faça como uma reprogramação mental. É que cada pessoa tem um modelo mental, uma forma de pensar e encarar a vida. Com depressão, nosso ponto de vista tende para o negativo, o depreciativo. A ideia, então, é aprender a substituir os pensamentos negativos por pensamentos positivos.

Por fim, mas não menos importantes, estão às atenções ao consumo de alimentos saudáveis e à ingestão de bastante água diariamente, aos cuidados com você mesmo, incluindo boas noites de sono e cuidando do rosto e do corpo. Tudo o que aumentar sua autoestima não pode ser deixado de lado.

Ninguém estava preparado para a atual crise. Muitos estão sofrendo. Só não podemos desistir. Temos que erguer a cabeça e seguir em frente. Ainda não sabemos quando, mas a pandemia de Covid-19 será superada. E precisamos estar bem para quando isso acontecer. É difícil? Muito, precisamos de ajuda médica. Será uma saudável política colocar profissionais para atender pessoas que sofrem com o isolamento, porque ao final da pandemia teremos uma população totalmente doente e desequilibrada. Cuidar é preciso e é constitucional.


LIÇÕES DE GRAMÁTICA

“De trás”, “atrás” e “detrás”

– Enquanto “detrás” e “atrás” podem ser usados como sinônimos, “de trás”, separado, aparece quando é necessário empregar a preposição “de”. Difícil? É só pensar assim: se a pergunta for só “onde”, responda com “atrás” ou “detrás”. Agora, se for “de onde”, o certo vai ser “de trás”. Fica, então, assim:

  • Onde está o cofre a moça do baile? Atrás da mesa do lado.
  • Onde foi parar minha bolsa? Está pendurada detrás da porta.
  • De onde saiu esse rato? De trás do armário da cozinha.


Prof.ª Dr.ª Luísa Galvão Lessa Karlberg
Pós-Doutorado em Lexicologia e Lexicografia – Université de Montréal – Canadá
Doutorado em Letras Vernáculas – UFRJ
Mestrado em Letras – UFF
Coordenadora Pós-Graduação, Campus Floresta – UFAC
Presidente da Academia Acreana de Letras – AAL