Artigo: Unicidade e opção

Se uma pessoa tiver um câncer, realmente a opção é dela de tratar ou não, uma vez que é uma doença não contagiosa. Então é uma escolha individual que tem que ser respeitada. Se tenho uma gripe forte e resolvo sair espirrando na cara das pessoas na rua não estou fazendo uma opção individual. Estarei optando por contaminar as pessoas e prejudicar a vida delas de maneira irresponsável.

Não é uma opção individual colocar as mãos na boca ao espirrar ou um lenço ou virar o rosto, é também uma opção de coletividade e respeito ao próximo, já que a gripe sim, é contagiosa. Tudo que interfere na vida do outro não se coloca na cesta individual, se coloca na cesta do compartilhamento, da coletividade. Isso desde lá quando a gente resolveu se reunir por causa do fogo ou para plantar e isso já faz muito tempo

Pois bem se a gente não se vacina a gente não está exercendo nosso direito de escolha, a gente está transgredindo as regras da coletividade, sobretudo quando se trata de um vírus devastador como é o caso do Corona. Sempre me preocupei com essa questão da diferença entre individualismo e individualidade, liberdade com libertinagem, egoísmo com amor próprio. Muitos ainda não aprenderam a distinção. Só os insanos se apoiam em teorias políticas e fake News para ridicularizar a utilização da ciência para o bem comum, num momento tão delicado para a humanidade.

Não seja a pessoa que atrasa a ciência e a vida do outro, que prejudica a coletividade, que vira hospedeiro para o vírus fazer mutações e começar tudo de novo. Coloquemos em prática nossa capacidade de dividir um planeta com 7,79 bilhões de moradores. A verdadeira face dos seres humanos apareceu nesta pandemia que está ensinando o valor da unicidade, porque que somos todos um.

Beth Passos 

Jornalista 

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