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Sob quarentena

Governo do Acre cria gabinete de crise para enfrentar praga que ameaça produção de cacau no Brasil

Há dois anos, a Embrapa já vinha alertando para a ocorrência do fungo na Bolívia, e agora, o temor se torna real com a praga se espalhando pelas plantações de Cruzeiro do Sul

Oito dias após o Ministério da Agricultura declarar o Acre como “área sob quarentena” para a praga quarentenária ausente Moniliophthora roreri (monilíase do Cacaueiro), o Governo do Acre instituiu, temporariamente, um gabinete de crise, em virtude do iminente risco de surto da praga, identificada, pela primeira vez, no Brasil, em área residencial urbana no município de Cruzeiro do Sul, interior do Acre.

Conforme o Diário Oficial do Estado, o gabinete irá monitorar, mobilizar e coordenar as atividades dos órgãos públicos estaduais para adoção das medidas necessárias ao enfrentamento e minimização dos agravos causados pelo evento descrito no art. 1º, assim como integrar e articular as ações de contenção, supressão e erradicação da praga quarentenária Moniliophthora roreri, nos termos do plano de contingência elaborado para esta finalidade.

O grupo será composto por representantes do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (IDAF), Secretaria de Estado da Casa Civil (SECC), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER) e Secretaria de Estado do Meio Ambiente e das Políticas Indígenas (SEMAPI).

O que é a monilíase do cacaueiro e do cupuaçuzeiro?

A monilíase é uma doença devastadora que afeta, principalmente, plantas do gênero Theobroma, como o cacau (Theobroma cacao L.) e o cupuaçu (Theobroma grandiflorum), causando perdas na produção e uma elevação nos custos devido à necessidade de medidas adicionais de manejo e aplicação de fungicidas para o controle da praga (Foto: Mapa/Divulgação)

Conforme esclarece publicação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária no Acre, divulgado ainda em 2019, trata-se de uma séria doença causada pelo fungo Moniliophthora roreri (Cif.) H.C. Evans que não havia sido registrado no Brasil, embora já houvesse relatos há mais de 200 anos na América do Sul.

Em 2019, a ocorrência da praga foi descrita na Bolívia a 50 km da divisa com o Acre e no dia 8 de agosto de 2021 a praga foi encontrada em Cruzeiro do Sul e confirmada por meio de análise laboratorial, realizada pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Goiânia (LFDA/GO), em amostras coletadas no local pela equipe do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (IDAF/AC), após ser acionado por cidadão local que observou os sintomas da doença, informados nas campanhas institucionais de educação fitossanitária, em frutos de cacau e cupuaçu.

O fungo ataca somente os frutos do cacau, cupuaçu e outras plantas do gênero Theobroma como o cacauí e o cupuí. Os sintomas iniciais da doença destacam-se pelo escurecimento dos frutos. A partir daí em poucos dias ocorre a formação de uma grande quantidade de pó branco que são os esporos do fungo (Figuras 1, 2 e 3). Os sintomas da monilíase são diferentes daqueles causados pela vassoura-de-bruxa nos frutos de cacau provocados por Moniliophthora perniciosa.

A massa branca de esporos do fungo M. roreri é facilmente levada pelo vento, animais, respingos de chuva de um fruto doente para um sadio. Porém, o homem é o principal disseminador da doença, quando transporta frutos doentes de uma área infestada para áreas indenes. O fungo pode sobreviver tanto no solo quanto em frutos velhos e nas sacarias.

O que fazer em um foco suspeito da doença?

Ao encontrar frutos de cupuaçu, cacau e hospedeiros silvestres como cacauí, cupuí com sintomas da doença monilíase deve-se informar imediatamente ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio do telefone (68) 3212-1300 – Secretaria Federal de Agricultura no Acre.

Fonte: Embrapa/AC