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Frei Paulo Roberto Gomes
Frei Paulo Roberto é membro da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos

Pra você, a Semana Santa é mesmo santa?

Querido(a) leitor(a) do site agazetadoacre.com, Paz e Bem. Estamos na Semana Santa, tempo da misericórdia do Pai, da ternura do Filho e do amor do Espírito Santo.



Na Semana Santa, a Igreja Católica celebra os mistérios da salvação, levados ao cumprimento por Jesus Cristo nos últimos dias de Sua vida, a começar pelo Seu ingresso messiânico em Jerusalém. O tempo da Quaresma, o período de 40 dias, cujo início é na Quarta-feira de Cinzas, continua até a Quinta-feira Santa. A partir da Missa Vespertina da Quinta-feira (“in Cena Domini”/Ceia do Senhor) inicia-se o Tríduo Pascal que abrange a Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor e o Sábado Santo. E tem o seu ápice na Vigília Pascal e no Domingo da Ressurreição do Senhor.

Mas você pode perguntar: toda semana não é santa? Saiba que esta semana chama-se Santa porque nos introduz diretamente no mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Cada um desses acontecimentos tem um conteúdo eminentemente profético e salvífico para o crente católico.

O fiel cristão, verdadeiramente apaixonado por Jesus Cristo, não pode deixar de acompanhar ativamente a Liturgia da Semana Santa em sua Paróquia ou comunidade. Infelizmente, a maioria dos católicos tem outras preferências na semana mais santa do ano. Não são capazes de vigiar e orar uma só hora com Jesus (cf. São Marcos 14, 37-38). Para muitos, é um feriadão bem prologado; dias de reunir os amigos e preparar o churrasco, montar as barracas, sair para fazenda, praia, campo. Para esses, acredito que a Semana Santa ainda não é tão santa assim, ou ainda não tem em seu coração a Paixão e Morte de Jesus. Claro, aqui vale para os crentes católicos. Quem não é, pode fazer desses dias quaisquer coisa. O fiel católico, tem a obrigação e o dever de vivenciar sua fé desde o início da Quaresma até o Domingo de Páscoa.

Outra coisa e não quero me aprofundar nesta questão, mas vale a pena lembrar as orientações da Igreja, sobre o jejum e a abstinência são obrigatórios na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Temos pessoas que fazem confusão quanto a opção pela abstinência de carne, pois, a abstinência de carne é uma forma de união a Cristo que vive sua Paixão. Pode ser também uma maneira mística de olhar a carne de Cristo pregada na Cruz e Seu Sangue derramado pela humanidade. Não é dia de banquete, é dia de mantermos a sobriedade espiritual, que também vale para os alimentos, para nos unirmos ao Senhor em sua Paixão. É importante que neste dia se faça apenas uma refeição e que esta seja sóbria/leve. Nada de trocar a carne (que está com preços super elevados), por peixes, camarão, lagostas e outro frutos do mar. E peço muito a Deus por muitas famílias que não tem nem o que comer! Precisamos colocar nossa solidariedade em prática, não somente com palavras, mas com ações concretas.

E como crentes católicos, queremos acompanhar os passos de Cristo e sentir de perto o que vai acontecer a nosso melhor Amigo e Salvador, procurando sentir o que Jesus sentia em seu coração ao se aproximar a Hora decisiva de glorificar o Pai. Ele viveu esses dias com mansidão e serenidade na presença do Pai. Seu coração estava inundado por uma imensa ternura para com todos os filhos e filhas de Deus dispersos.

Na Semana Santa, devemos associar ao sofrimento de Cristo o mesmo que acontece com tantas famílias e pessoas violentadas em nosso tempo. Podemos dizer da violência armada, dos trágicos acidentes de trânsito, das doenças que causam morte, vítimas da covid-19, dos vícios que ceifam muita gente etc.

Mostremo-nos, pois, solidários a Jesus. Passemos esta última semana de sua vida terrena com Ele, num último gesto de amor e amizade, recolhidos em oração fervorosa e contemplação profunda, de modo que a Páscoa do Senhor seja um dia verdadeiramente novo para nós.

Nosso pai São Francisco, por inspiração divina, abraçou pobre e humildemente a cruz de Jesus e deixou-se impregnar, arrebatar e transformar totalmente pelo espírito de abnegação divina. Isso quer dizer que a imitação de Cristo, por parte de Francisco, não é mera repetição mecânica dos gestos exteriores de Jesus, mas é manifestação de sua profunda sintonia com a experiência originária de Jesus Cristo: o Reino de Deus. Somente quem possui o Espírito do Senhor pode observar “com simplicidade e pureza” a Regra e o Testamento de São Francisco e realizar em si mesmo as santas operações do Senhor. Será que conseguimos também, ter este mesmo amor que nosso pai Francisco teve para o Senhor?

Por isso, no último domingo, 10.04, participarmos da bênção e procissão de ramos, homenageando e fazendo memória a Cristo, e proclamando publicamente a sua Divina Realeza.

No Evangelho lido na Segunda-feira Santa, contemplamos Maria de Betânia ungindo os pés do Mestre com o perfume do amor e da gratidão. Na Terça-feira, Cristo revela o que se passa no coração de Judas Iscariotes. Na Quarta-feira, Mateus relata Cristo celebrando com os Apóstolos a festa da Páscoa judia e a traição de Judas.

Na Quinta-feira Santa, pela manhã, é celebrada a Missa Crismal. Esta celebração, que o Bispo concelebra com o seu presbitério e dentro da qual consagra o santo crisma e benze os óleos usados no Batismo e na unção dos enfermos, é a manifestação da comunhão dos presbíteros com o seu Bispo.

No período vespertino, inicia-se o Tríduo Sacro. Com a celebração da Missa da Ceia do Senhor (cerimônia do Lava-pés), recordamos a instituição da Eucaristia e do sacerdócio católico, bem como o mandamento do amor com que Cristo nos amou até o fim (cf. Jo 13, 1).

A Sexta-feira Santa é o grande dia de luto para a Igreja. Não há Santa Missa, mas celebração da Paixão do Senhor que consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da Cruz e sagrada Comunhão. Vivamos este dia em clima de silêncio e de extrema gratidão, contemplando a morte de Jesus na cruz por nosso amor. Muitos seguem o Cristo até o calvário, mas não comparecem em nossas paróquias na Vigília Pascal ou mesmo no Domingo de Páscoa, pois também ficaram mortos com Jesus no túmulo. Eu fico triste, pois ainda não compreederam o Ministério do Tríduo Pascal, a centralidade da nossa Fé Católica: Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Seguindo, temos o Sábado Santo, que é dia de oração silenciosa e de profunda contemplação junto ao túmulo de Jesus. São horas de solidão e de saudade… É ocasião para acompanharmos Nossa Senhora da Soledade e as santas mulheres junto ao túmulo de Jesus, sentindo com elas a medida do amor que Cristo suscita nos corações que O conhecem de perto.

A Vigília Pascal, a mãe de todas as vigílias, na qual a Igreja espera, velando, a Ressurreição de Cristo, compõe-se da liturgia da Luz, da liturgia da Palavra, da liturgia Batismal e da liturgia Eucarística.

A participação no Mistério redentor de Cristo leva-nos a ser  no mundo descrente  testemunhas autênticas da Ressurreição de Cristo. Não podemos retardar o anúncio da ressurreição. Que a alegria de Cristo ressuscitado penetre nosso ser, domine nosso pensamento, tome conta de nossos sentimentos e ações. Precisamos de gente que tenha feito experiência da ressurreição. Existe uma única prova de que Cristo tenha ressuscitado: que as pessoas vivam a Sua vida e se amem com o amor com que Ele nos ama…

Guiados pela luz do círio pascal, e ressuscitados para uma vida nova de fé, esperança e amor, sejamos testemunhas vivas da Ressurreição do Senhor Jesus, e deixemos a santidade da Semana Santa permanecer em nossos corações ao longo das demais semanas ao longo do ano.

Que a Mãe do Ressuscitado nos aponte o caminho para Jesus Cristo, nosso único Salvador.

Feliz e abençoada Páscoa do Senhor!

Adaptado conforme: www.cancaonova.com

 

Frei Paulo Roberto, Ordem dos Frades Menores Capuchinhos – OFM Cap.

Pároco da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida-Quitandinha, Petrópolis – RJ

Colaborador da Fraternidade da Ordem Franciscana Secular-OFS, São Padre Pio, na Diocese de Rio Branco-AC

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