Audiência pública sem público

A intenção foi das melhores. Discutir o problema da violência urbana, em Rio Branco. Mas o objetivo ficou longe de ser alcançado na audiência pública da Câmara Municipal que aconteceu, ontem, no Colégio Acreano. Pouca gente participou do debate dos vereadores com os convidados. Outro aspecto importante é que praticamente nenhuma autoridade importante da área de Segurança do Estado esteve presente.  

 
Os próprios vereadores reclamaram da falta de representatividade no evento. Para Raimundo Vaz (PRP), “perderam a oportunidade de esclarecer a opinião pública sobre as ações na Segurança”. Já Luiz Anute (PPS) comentou: “é inaceitável o descaso que fizeram com a audiência. Quero repudiar essa atitude das autoridades. Se fosse para debater sobre o carnaval e a semana da diversidade tenho certeza que a secretária de Segurança estaria aqui”, protestou.

O presidente da Casa, vereador Jessé Santiago (PSB), justificou que apesar da falta de representatividade a au-diência teve a sua função. “Vamos levar as sugestões e entregar às autoridades competentes do Estado”, afirmou.

O vereador Juracy Nogueira (PP) que fez a proposição também comentou as ausências. “Quando propus essa audiência, queria uma ampla discussão com o envolvimento das autoridades e da sociedade. Lamento a ausência da secretária Márcia Regina e do comandante Romário Célio. Sempre somos cobrados pela comunidade. Hoje tenho certeza porque a violência cresceu tanto. Aqueles que deveriam discutir com a socie-dade, não estão preocupados. Todas as autoridades são pagas pelo povo, mas não dão valor. Quem poderia nos dar uma resposta concreta não está aqui”, protestou.

Representando o Ministério Público Estadual, o procurador de Justiça, Sammy Barbosa, fez algumas críticas ao sistema judiciário. “O primeiro passo para combater a criminalidade é a mudança na legislação. Hoje vivemos um momento crítico. No Brasil é inconstitucional colocar algema em bandidos. Os ministros do STF quando decidiram isso, no ar condicionado de seus gabinetes, não sabiam do mal que estavam causando à sociedade. O parlamento tem uma culpa, como toda sociedade. Tratamos um preso comum como se fosse um preso político. Daqui a uns dias teremos que chamar o bandido de vossa excelência. O Estado deve garantir a segurança para podermos sair e voltar às nossas casas. Temos leis extremamente frágeis. Tem gente no Congresso acusado de desviar merenda escolar de crianças pobres. Tem gente com esse perfil que elabora as leis. Os relatórios apontam o Brasil como um país impune”, ressaltou. 

 

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