Debate entre oposição e situação esquenta com perspectiva de eleições

Deputados
A última sessão da Aleac, antes do recesso carnavalesco, antecipou os prováveis temas eleitorais de 2010. Os deputados de oposição bem articulados ocuparam a tribuna em seqüência para criticar o Governo. A peregrinação oposicionista começou com a deputada Idalina Onofre (PPS) acusando a falta de estrutura na Saúde Pública do Estado. “Não vou ser hipócrita. O meu marido teve um problema e tivemos que via-jar para fora do Estado para recebermos um atendimento decente”, afirmou.

O coro oposicionista foi engrossando com o transcorrer da sessão de ontem. “Só quem não conhece as comunidades pobres é que pode falar da nossa saúde como uma referência”, disse a deputada Antonia Sales (PMDB), se referindo à recente viagem do secretário de Saúde, Osvaldo Leal, ao Canadá. Chagas Romão (PMDB) não perdeu tempo e também atacou a Saúde Pública. “Estive em Xapuri e ouvi muitas reclamações sobre o hospital da cidade”, protestou.  Por outro lado, o deputado Luiz Tchê (PDT) fez a defesa do Governo, garantindo que a cooperação com os canadenses garantirá a qualificação de 70 enfermeiros acreanos sem ônus para os cofres públicos. Depois, ironizou as declarações de Idalina dando entender que a parlamentar não mora no Acre e por isso não vê as transformações.

Também o ex-governista, Gilberto Diniz (PTdoB), aproveitou seu tempo de tribuna para entregar um requerimento pedindo explicações da Secretaria Estadual de Obras sobre o Canal do Cafezal, em Sena Madureira. O parlamentar do Purus aproveitou para denunciar uma série de situações de risco social na sua região. “As comunidades indígenas estão sem a assistência necessária. Os índios estão indo para dentro da cidade com as inundações do Rio Iaco e criando uma série de problemas sociais”, argumentou.

Críticas de Jorge Viana atiçam a oposição 

Mas o foco principal de ataque dos oposicionistas foram às recentes declarações do ex-governador Jorge Viana (PT), que chamou a oposição de “balaio de gatos”. N. Lima (DEM) declarou: “”nós somos um espinho nas costas do ex-governador que está doendo. Mas não quero sair da minha condição de homem sério para responder certas coisas”, disse ele. Luiz Calixto (PSL) completou: “quando o desespero bate à porta, a saída é agredir a oposição. Não entendo porque o ex-governador veio com quatro pedras na mão contra nós”, afirmou. O parlamentar também criticou a postura do presidente do PT acreano, Leonardo Brito, a quem chamou de “ventrículo de Jorge Viana”. “Esqueceram de cortar o bolo dos trinta anos de fundação do PT para criticarem a oposição. O jovem Leonardo Brito deveria se importar mais com o debate de idéias”, ressaltou.

Com o líder do governo, deputado Moisés Diniz (PCdoB), adoentado a defesa de Jorge Viana e do Governo petista coube ao deputado Ney Amorim (PT). “Não entendo a razão das agressões contra os nossos líderes partidários. O Leonardo Brito é uma jovem liderança. O PT acreano está em boas mãos. Mas a oposição não se entende. A Frente Popular está voando em céu de brigadeiro discutindo o futuro do Acre. Que motivo teria o Jorge Viana para estar preocupado com alguma coisa? Por tudo que ele já realizou será o senador mais votado da história acreana. Nós do PT fazemos política com responsabilidade e não com ódio. E nós não nos acostumamos com os erros. Por isso vamos para o quarto mandato no Governo do Estado”, profetizou.

O discurso do líder do PT foi rechaçado imediatamente pelo deputado Donald Fernandes (PSDB). “Nós da oposição fomos agredidos por não termos todas as candidaturas definidas. Pelo discurso do Amorim já está todo mundo eleito. O povo nem precisa mais votar. Nós vamos colocar a viola no saco e brincar o carnaval”,  ironizou. Donald aproveitou o seu espaço na tribuna para tecer mais críticas ao secretário de Saúde, Osvaldo Leal, a quem acusa de não lidar de maneira adequada com os surtos de dengue e malária no Estado.

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