MONTE CALVÁRIO

O final de Jesus, o Filho Unigênito do Espírito Santo, ocorreu no Monte Calvário, também chamado Gólgota, que em hebraico quer dizer “Lugar da Caveira” devido à semelhança com a horrível designação popular de nossa cabeça após a devastadora ação da morte.

Ninguém sabe ao certo quantos anos se passaram da feliz manjedoura de Belém ao trágico dia em que foi barbaramente destituído da condição humana.

Sabe-se, porém, que quando iniciou sua breve pregação teve seus momentos de glória ao realizar feitos milagrosos e ir de encontro ao status quo com palavras e comportamento.

Esqueceu que travar uma batalha contra a hegemonia do Templo e a tirania religiosa dos grupos então existentes significava, em última instância, lutar contra o indesejável invasor e controlador do território e do povo judeu: o então poderoso e impiedoso Império Romano.

Acusado pelos judeus de blasfêmia e pelos romanos de revolucionário, seu sofrimento continuou quando foi condenado a mais terrível e infame das penas capitais aplicada pelos romanos a um ser humano: a crucifixão.

 Acompanhado com mais dois condenados de semelhante destino, foi levado ao Monte Calvário onde a sua Paixão atingiu, progressivamente, o clímax da dor física – pregaram-No com cravos no patíbulo e no stipes; da dor moral, descrita em seus mínimos detalhes em Mateus, 27,39-44, Marcos, 15,29-32 e Lucas, 23,35-37 e, finalmente, da dor religiosa.

Sobre a dor religiosa encontramos quatro informações: duas não concordantes e duas inteiramente concordantes. As que não concordam estão em Lucas, 23,46 e João, 19,28-30.

Foi, no entanto, no clímax da dor religiosa, ou seja, no momento da morte, que Jesus demonstrou toda sua agonia, angústia, decepção, abandono e desespero, pois de acordo com as informações concordantes, que estão em Mateus, 27,46 e Marcos, 15,34, Ele disse: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” Note-se que esta desesperada exclamação tende para a mais pura verdade por que trata-se da continuação do não atendido pedido feito no Monte das Oliveiras: “Pai afasta de mim este cálice”.

O Pai não o afastou porque sabia que Jesus após sua breve morte e Ascensão voltaria para uma última batalha.

Uma batalha onde não se derramará sangue, não se matará homens, não se ganhará territórios e nem se acumulará riquezas, apenas se conquistará almas.
  

Aloisio Vilela de Vasconcelos
Professor da UFAL

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