As caras novas da Aleac: Dinha Carvalho e Manoel Moraes

No último ano da atual legislatura a Aleac tem dois deputados novos participando dos debates. Dinha Carvalho (PR) e Manoel Moraes (PSB) que fazem parte da bancada governista. Ainda tímidos em relação aos “veteranos” companheiros parlamentares aos poucos vão se soltando e mostrando as suas áreas sociais de conhecimento. Ambos têm as suas bases eleitorais em cidades do interior. Dinha prioriza a defesa dos colonos da zona rural de Senador Guiomard e quer incrementar o debate sobre a violência contra as mulheres. Manoel Moraes já mostrou que tem conhecimento sobre o modelo econômico florestal acreano e as questões de meio-ambiente. Ele que é economista e funcionário do Ibama, em Xapuri, enfrentou recentemente a oposição numa discussão sobre o setor produtivo rural do Alto e Baixo Acre.
Dinha
Manoel Moraes assumiu, em 2010, a cadeira na Aleac, como suplente do deputado Delorgem Campos (PSB). Muito se especulou na imprensa que a troca nada mais era do que uma jogada eleitoral. Mas o deputado socialista desmente com veemência. “Fui convocado pelo meu partido para assumir a vaga. Me falaram que eu ficaria na cadeira de fevereiro a maio. Mas não conversei com o Delorgem durante o processo. Pelo que me consta ele está afastado para tratamento de saúde”, afirmou. A argumentação de Manoel tem sentido na medida que provavelmente os dois socialistas disputarão votos na próxima eleição à Aleac na região do Alto Acre.

Dinha que já substituiu Nílson Areal (PR), por dois anos na Aleac, quando o político se elegeu prefeito de Sena Madureira. Dessa vez teve que enfrentar uma odisséia jurídica para poder assumir a vaga deixada por outro deputado que se elegeu prefeito, Juarez Leitão (PT). Os dois parlamentares mostram como é importante a descentralização política no Acre. Representantes do interior podem alertar a gestão pública estadual sobre as dificuldades das suas regiões para que o desenvolvimento social e econômico acreano aconteça de forma igualitária em todo o Estado.  

Defensor do desenvolvimento sustentável
Ninguém conhece melhor a realidade dos pequenos agricultores do que quem tem a convivência de campo através do no Ibama. Ainda que o órgão não seja muito popular e, muitas vezes criticado, o contato direto com as comunidades proporciona uma visão da problemática crucial do Acre que é a produtividade aliada à preservação ambiental.

Recentemente o deputado Manoel Moraes foi induzido ao debate por dois outros colegas de oposição. Teve que responder questionamentos de Chagas Romão (PMDB) e de N. Lima (DEM). Moraes mostrou convicção nos seus pontos de vista.

“Estava falando para os deputados de oposição que existem alguns locais onde a produção extrativista tem gerado uma renda importante para os produtores. Se alguém chegar no Seringal Cachoeira vai ver que o pessoal tem mais de 30 motos e vários carros comprados com a renda da castanha e de outros produtos de manejo. O mesmo acontece também no Equador e outros seringais. Nos locais não extrativistas os moradores não têm tido essa renda e têm dificuldade porque o sistema de agricultura não se adaptou. Então, eles querem criar gado de corte em terras de 30 hectares o que é inviável. Nessas terras é preciso desenvolver programas de mecanização. O pequeno agricultor tem que produzir o alimento básico, o arroz, o feijão, a mandioca e o milho para a criação de pequenos animais. Num segundo momento poderia vir as frutíferas. Não há outra solução para as pessoas que moram em assentamentos. Eles precisa-riam de um acesso bom e a garantia de venda dos seus produtos nas cidades por um preço mínimo. É uma política muito maior que precisa ser feita. A verdade é que os assentamentos do Acre não vão bem por conta do tipo de produção não ser adequado”, explicou o deputado.

Manoel Moraes cita o exemplo de produções extrativistas bem sucedidas. “Por outro lado as associações, como é o caso de Xapuri que tem um reserva florestal muito grande, tem uma produção de castanha muito boa e existe a de borracha que mesmo com o preço pequeno dá para ir se mantendo e o manejo de madeira que as pessoas estão tendo um renda de R$ 8 a 9 mil anuais sem nenhum custo. Essas comunidades melhoraram de vida realmente. O que quero dizer é que deveria ser ampliado esse modelo onde ainda tem muita reserva de mata. E a área de assentamento tem que melhorar o acesso e a mecanização”, salientou.

Os problemas de Xapuri
Outra questão que foi utilizada para chamar o novo deputado ao debate foram às críticas ao atual prefeito de Xapuri, Bira Vasconcelos (PT). “Elas não condizem com a realidade. Xapuri tem problemas sérios porque nós tivemos uma sequência de administrações desastrosas. Lá falta tudo, não tem uma rua que preste. O Bira pegou essa situação e, ainda responde a 180 processos na Justiça de administrações passadas. Ele está fazendo planejamento e buscando recursos. Mas as pessoas queriam muito mais porque foi criada uma expectativa pelo próprio Governo do Estado que Xapuri iria voltar a ser a Princesinha. Isso não é fácil porque requer muito investimento e muito trabalho. Criaram expectativas nas eleições e para executar tudo isso é complicado”, finalizou.

Violência contra a mulher
Por outro lado, Dinha Carvalho tem pregado a união das cinco deputadas para formar a bancada feminina da Aleac. Apesar de duas serem de oposição a deputada acredita que a questão das mulheres transcende as cores partidárias. “Tem muitas leis boas que amparam a mulher, mas que não são implementadas e nem cumpridas. Baseado nisso entrei com um requerimento na Aleac para debater a questão do aumento da violência contra a mulher.

Não podemos aceitar que hoje o Brasil com tantas leis que dão amparo a gente assista mulheres continuarem a ser brutalmente violentadas psicologicamente e fisicamente. Temos que encontrar uma maneira para que essas leis venham a se cumprir”, afirmou.

Dinha também tem lutado para atrair mais investimentos para a bacia leiteira do Quinari. Outra bandeira da deputada tem sido o fato da Eletroacre estar cobrando taxas de iluminação pública de produtores rurais. “Já enviei um ofício ao diretor da empresa, Celso Matheus, que alega que os produtores rurais têm acesso a iluminação pública quando vêm à cidade. Isso é um absurdo. Ele também disse que o dinheiro da TIP vai para as prefeituras. Quero saber quanto elas recebem e o montante que tem origem na zona rural. Mas até agora não recebi a resposta”, protestou. 

 

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