Viagem ao coração do Acre

O ex-deputado Marcio Bittar (PSDB) completa, neste sábado, 14 dias de viagem pelos municípios dos vales do Juruá e Envira. Virtual candidato à Câmara Federal, ele acredita que só compartilhando o dia-a-dia dos que habitam as regiões mais longínquas é possível compreender o verdadeiro significado de cidadania. 

Nas duas últimas semanas Marcio não tem feito outra coisa senão singrar os rios do Juruá e Envira a bordo de catraias e batelões. Viagem semelhante ele fez quando disputou o governo estadual, e agora repete com a satisfação de reencontrar os amigos que conheceu em 2006.

Nos 14 dias de jornada pela região, o ex-deputado deixou para trás dezenas de quilômetros de rios, estradas e picadas por dentro da floresta. A viagem alterna o balanço das embarcações com os encontros em terra firme pelos – até agora – cinco municípios diferentes. Ao todo serão oito cidades, dezenas de reuniões e o prazer de ouvir histó-rias que misturam os dramas pessoais e coletivos à sabedoria de ser feliz com o mínimo que se pode ter.

Falta de tudo nas comunidades mais isoladas do Estado. No Rio Envira, por exemplo, a dois dias de viagem de batelão da cidade de Feijó, crianças e adultos ainda vivem o drama do analfabetismo. Na comunidade Novo Japão, Marcio Bittar encontrou dezenas de meninos e meninas aos quais faltam professores. “Cada político deste Estado precisa ter a exata noção do quão importante é lutar para que toda criança tenha direito à educação”, disse o ex-deputado.

No Novo Japão existe um posto de saúde aos cuidados do agente Francisco Gomes da Silva, o Chico. É na residência dele que outros ribeirinhos se encontram para receber remédios, colocar a conversa em dia e assistir televisão. Com um gerador a óleo diesel no quintal, Chico é um homem privilegiado por aquelas paragens.

“Gosto do que faço, mas estou pensando em me mudar pra cidade”, revela o agente de saúde.

A mulher dele, Aldeci, relata os fatos a Marcio Bittar com os olhos marejados. A filha, diz ela, morreu no parto, do qual sobreviveu a neta que hoje tem onze anos de idade. A menina vive de favor em casa de parentes, e o medo de que a menina “se perca pro mundo” é o fator que pode desencadear a mudança.

Reunião mesmo com chuva
O segundo município a ser visitado pelo ex-deputado e sua equipe foi Jordão, no dia 22 de fevereiro. Ali marcaram uma reunião na Câmara de Vereadores para as primeiras horas da noite. No fim da tarde a chuva começou a cair sobre os telhados. O encontro parecia abortado quando o vereador João Manguaba, do PPS, foi ao hotel avisar que algumas pessoas esperavam a presença do visitante. E a reunião ocorreu mesmo com as ruas encharcadas.
“É isso que me comove no povo acreano”, confessaria mais tarde Marcio Bittar. “Essa generosidade com o outro é a população mais sofrida do Estado tem a oferecer”.

Do Jordão, o ex-deputado voou a Marechal Thaumaturgo, mas antes teve a chance de conhecer o vereador Vavá, também do PSDB, que mora dentro de um batelão. Eleito parlamentar mirim do município, e mantendo família em Tarauacá, Vavá faz do batelão sua morada e gabinete de trabalho.

Uma viagem de quatro anos    
A visita à Vila Restauração foi um dos pontos altos da viagem de Marcio Bittar. Em 2006, na campanha ao governo, ele tentou chegar ao local, mas o barco quebrou. A equipe que o acompanhava teve de voltar do meio do caminho, e o então candidato precisou adiar a visita à comunidade.

“Agora cumpri esse desígnio, e me dou por satisfeito em ter conhecido pessoas como seu Antônio Osterno”, disse Marcio.

Cabelos brancos, mas olhos vivos de guaxinim, “seu” Osterno tem para contar muitas histórias de quando a região ainda não era ainda um amontoado de reservas extrativistas. Os estudos que levaram a esse desfecho mandaram para lá muitos pesquisadores, entre elas uma bióloga por quem o ribeirinho se apaixonou. “Eu tremia só de estar perto dela”, conta Osterno. Casado, pai de dez filhos, o velho seringueiro lamenta o destino da região. “Sei que é preciso preservar, mas o governo tem de encontrar uma saída pra nossa sobrevivência”, disse ele, acrescentando que a criação das reservas tirou muita gente dos roçados e originou a Vila Restauração.

Destino final
Marcio Bittar dormiu uma noite na Vila Restauração antes de seguir, de barco, para Porto Walter. Dali desceu mais alguns dias o rio em direção ao município de Cruzeiro do Sul. Sua aventura pelos rios do Juruá termina no próximo dia 11.

Queimado do sol, o ex-deputado não esconde o cansaço. “Mas é um esforço que vale a pena pela quantidade de ensinamentos que se pode tirar desse contato com a gente tenaz dessa parte do Acre”, afirmou.

Em uma única frase, o ex-deputado exprime o espírito da via-gem que empreende pelas regiões do Juruá e Envira: “nós políticos ainda temos muito que aprender com o povo acreano”. (Assessoria)

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