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Estudo inédito revela condições da saúde indígena

O 1º Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição dos Povos Indígenas, Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz) e encomendado pela Funasa (Fundação Nacional de Saúde), traz informações detalhadas sobre as condições de vida dos índios em suas aldeias. Segundo o estudo, 66% das crianças índias têm anemia. Oito em cada dez recém-nascidos entre 6 e 11 meses sofrem da doença. 

O estudo revela que os povos indígenas no Brasil ainda estão longe de receber um serviço público de Saúde capaz de melhorar sua qualidade de vida dentro de suas comunidades. Os piores números estão na região Norte, onde está a maior concentração da população indígena do país. Enquanto que 66% das crianças no Norte são anêmicas, no Centro-Oeste a taxa é de 51,5%. Logo em seguida está o Sul/Sudeste (48,5), acompanhado do Nordeste, 40,9%.   

Além das crianças, as mulheres também estão com o organismo debilitado pela anemia. A Amazônia, mais uma vez, lidera os dados negativos. Quase 47% das não gestantes pesquisadas são anêmicas. Entre as grávidas, a taxa é de 35%. O número é bem maior do que registrado pelo Ministério da Saúde na população não-indígena: 29,4%. Na região, mais de 24% delas estão com o peso fora do padrão e 6,1% sofrem com a obesidade. 

A diferença entre as índias no Norte e do resto do país não fica só quanto às condições de saúde. As mulheres da região têm mais filhos e são menos escolarizadas. Com a maioria das aldeias distantes a muitos dias de viagem das cidades os índios ainda sofrem de doenças que estão extintas em regiões que contam com a infra-estrutura urbana básica, como rede de esgoto e água.

A diarréia é outra anomalia a afetar os índios. Junto com a infecção respiratória, ela é responsável por quase 20% das internações das crianças. Segundo último levantamento, o Acre tem uma população indígena de 15 mil pessoas. A prestação dos serviços de Saúde nas aldeias é realizada pela Funasa. O órgão dividiu o Estado em dois distritos sanitários especiais indígenas. Além do Acre, a equipe atende o sul do Amazonas e no-roeste de Rondônia.