Mãe de agente assassinada por fiscal é ouvida no MPE

Maria Souza da Silva, mãe da agente de endemias Ely Felipe de Souza, 24 anos, assassinada a tiros na véspera do Dia Internacional da Mulher, foi ouvida ontem pelo titular da Promotoria do Júri Popular de Rio Branco, Marcos Antônio Galina. O encontro foi motivado por intermédio dos Conselhos Municipal e Estadual dos Direitos da Mulher e dos Direitos Humanos e Educação Popular.
Mae-MPE
Maria chegou à Promotoria do Tribunal do Júri, no Bosque, acompanhada do casal de filhos de Ely. “Eu não tenho com quem deixar, por isso levo para onde vou”, justificou. A seguir veio o desabafo em tom de denúncia: “ele disse lá na Penal que tinha matado a minha filha e se ela estivesse viva matava de novo”, declarou Maria Souza, minutos antes de entrar na sala do promotor.

Marcos Galina pediu para conversar sozinho com Maria antes de receber as representantes dos conselhos que aguardavam do lado de fora. Na presença do promotor, a mãe de Ely prometeu buscar esclarecimentos a respeito do MPE não ter informado ao juiz da Vara de Execuções Penais, Gustavo Sirena, o período que representa para ela e a família a soltura do fiscal sanitário André Raimundo da Costa Júnior, 41, acusado pelo assassinato de Ely e colocado em liberdade há poucos dias.

Ela prometeu esclarecer ainda porque a filha que sobreviveu ao atentado da irmã e assistiu a execução não foi arrolada como testemunha ou mesmo informante – haja vista ser parente da vítima, além de outras falhas apontadas por ela no oferecimento da ação penal.

Após ouvir a mãe de Ely, o promotor disse que não tinha conhecimento do que foi apresentado por ela, e que a partir destas novas informações o MP poderá, até mesmo, voltar atrás do entendimento que teve inicialmente, se manifestando favorável ao relaxamento da prisão.

As presidentes dos Conselhos Estadual dos Direitos da Mulher, Amine Carvalho Santa, e do Municipal, Antônia Maria Silva de Oliveira, emitiram nota de repúdio em virtude da soltura de André Raimundo, e cobram do Ministério Público um acompanhamento mais severo do caso.

“Só no Acre para uma pessoa cometer um crime horrendo desse, premeditar, ameaçar outras pessoas e ser colocado em liberdade como se não representasse perigo”, questionou Antônia Maria.

 

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