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Pensar e olhar!

Dentre os desafios da Ciência Filosófica, pensar a vida é o mais básico e perene dos desafios. A vida não pensada e não examinada, já dizia Sócrates, não é digna de ser vivida. Falando de modo geral, a filosofia trata da vida além de tratar do pensamento. O filósofo, em qualquer época, procura respostas a perguntas básicas acerca do propósito da vida. No entanto, na abordagem de Ludwig Wittgenstein (1889-1951), em sua filosofia da linguagem, encontramos que um dos papeis da filosofia é também olhar. O conselho de Wittgenstein é: “Não pense, olhe!”

Deste modo, para dirimir contradições, estabeleço uma junção entre o pensamento moderno do filósofo analítico e o ajuizamento abstrato dos filósofos antigos e medievais. Assim devemos pensar e olhar. Mas, pensar e olhar o quê? Mesmo sabendo que o filosofo tem a fama de olhar e refletir universalmente sugiro que se diminua o grau de visão universal e limitemos as nossas meditações aos problemas do Brasil, mesmo que seja apenas um pensar e um olhar filosófico. Antes olhar, como dar a entender Wittgenstein, do que pensar. Entretanto, em que aspecto ou prisma se deve olhar e pensar os problemas brasileiros? Quais são as prioridades das prioridades que merecem a nossa atenção total?

Fala-se muito da crise política e, por extensão, da crise moral que aí está. Exemplo crasso é o escândalo da Casa Civil, fato que levou o eleitor, em parte, no último domingo começar a avaliar a classe política, que passa finalmente pela sua mais séria depuração: Hoje, o político não está mais acima de tudo; também homens e mulheres que entram na política com o fim de obter riquezas ilícitas, influência e poder, estão sendo desmascarados e encaminhados à Justiça para serem processados e presos, pela ação impoluta e destacada do Ministério Público. Por outro lado lotear todos os cargos públicos entre seus parentes, cabos eleitorais e protegidos, com intuito de empregar à custa do dinheiro público a sua máquina eleitoral, salvo em municípios de longínquos interiores, ficou mais difícil. Assim, parto do pressuposto que, a partir de agora, para alguém pleitear cargos públicos, terá que ter vocação política e, necessariamente, adquirir uma cons-ciência ética, sob pena de cair em desgraça pelo resto da vida. Quem achar que não é assim é só meter a cara! Presume-se, também, que a prática famigerada do “caixa dois” e outros ilícitos com intuito de levantar recursos para o político, com ou sem cargo, e para as novas e próximas eleições, tende a se acabar. 

Outra coisa para onde remeto meu olhar e a minha reflexão é  sobre algumas falácias, ditas para enganar, de que a inflação no Brasil está sob controle; que temos a oitava maior economia do mundo; que não há desemprego; que a saúde vai bem, etc. e, a despeito de todas essas “conquistas”, a nação ser dona de, provavelmente, uma das maiores desigualdades sociais do mundo. Aqui o meu olhar é destituído do meu lado metafísico; volto-me para a terra e suas agruras existenciais, tento em meio a este inferno vislumbrar o céu;  exaltar a liberdade pessoal e sublinhar a necessidade de “tornar” a vida mais significativa; exponho o lado sensível, próprio dos múltiplos sentidos, que são afetados, ao longo desse caminho que percorremos. 

São tantas as vicissitudes terrenas, conhecidas de todos e que se perpetuam, como por exemplo, o contumaz sistema de tributação que, alem de injusto, atinge quem menos deveria. Tributam violentamente o assalariado, os pequenos e médios empresários, mas poupam os privilegiados. Muitos destes pequenos e médios empresários não escondem seu desconforto e sufoco.

Outra questão existencial sofrível é a chamada política salarial. Pergunto: O que impediu e impede aos governos, os de ontem e os de hoje, a estabelecer um salário mínimo digno? Uma das causas, alguém tem dito, é a grande, para não dizer fenomenal despesa com a folha de pagamento dos governos instituídos, contrariando um princípio básico que reza pela cartilha do bom senso de que Governos devem funcionar com um mínimo de servidores, dando e incentivando à iniciativa privada o privilégio  de ser o grande gerador de empregos. 

Ao mesmo tempo, aqui no Acre, cadinho do Brasil, lugar onde as coisas acontecem e se misturam, uma coisa dolorosa para torrar os neurônios e arregalar os olhos de espanto, é ver que os assaltos de toda ordem ocorrem a cada minuto nos quadrantes da terra acreana, notadamente em Rio Branco. Olhando esse quadro nefasto insinuo ao novo governador Tião Viana, que pense e olhe radicalmente para as fronteiras do nosso Estado, pois até onde se sabe Rio Branco não tem plantação de cocaína, muito menos de maconha para minar e dominar moralmente milhares de jovens e torná-los dependentes dessas drogas malditas. Esse enxame de drogas ilícitas chega até nós, principalmente, através das fronteiras, causando, entre outras mazelas, uma avalanche de  assaltos, que cresce, a cada dia, de forma implacável e irresistível!

* Francisco Assis dos Santos é professor e pesquisador  bibliográfico em Filosofia e Ciências da Religião. E-mail: [email protected] yahoo.com.br