Casa do Índio está com o triplo de sua capacidade

Criada há 20 anos para receber os povos indígenas do Acre, Sul do Amazonas e Noroeste de Rondônia que estejam fazendo tratamento de saúde, a Casa do Índio (Casai) hospeda atualmente 180 índios. Esse número é triplo de sua capacidade, segundo os administradores. Hiperlotado e com instalações precárias, o Corpo de Bombeiros fez uma vistoria no local. Pacientes com doenças contagiosas transitam livremente entre os demais hóspedes.

O administrador provisório da casa de passagem, Rui Barbosa de Moura Filho, atribui a superlotação aos próprios ín-dios. Segundo ele, o local se transformou em uma espécie de hotel para os índios. A Casai oferece seis refeições diárias, além de dormitórios e lavanderia. “Tem uma família com sete pessoas aqui, mas só um é paciente”, exemplificou Barbosa.   

Precisando de uma reforma e ampliação ‘urgente’, o local é insalubre. Há alguns meses, líderes indígenas solicitaram um levantamento ao Ministério Público Federal (MPF). Na ocasião, eles denunciaram que existiam perdas de documento, demora na aquisição de medicamentos, mau atendimento nos hospitais, transporte inadequado para os doentes e falta de passagens para os índios que recebem alta. “O bem-estar físico, psicológico e social é só papel. Goteiras, paredes úmidas, empoçamento de água em banheiros, falta de ventiladores e esgoto a céu aberto”, relata o documento.

Os índios dizem que os problemas da Casai são por causa da sobrecarga de atendimentos em Rio Branco. Para eles, os órgãos deveriam dotar os polos básicos de condições para fazer o atendimento nas próprias aldeias e, em caso de alguma complexidade, nos municípios. “A Casai era para amparar os casos de médias e altas complexidades”, disse o cacique Francisco Alves Apurinã, para quem acredita que o problema da saúde indígena no Acre “é de gerência”.

 

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