Reverberando valores vigentes

Acontecimentos brutais, como foi o caso daquela criança de 10 anos que atirou na professora e, posteriormente, disparou contra sua própria cabeça, nos faz refletir sobre os valores vigentes da atualidade. Com toda essa desgraça se repetindo a cada minuto, segundo estatísticas, não dá para tergiversar sobre o problema da raça humana. Não adianta inventar novas soluções paliativas, pois os problemas são os mesmos.  Estamos encurralados. A raça humana vive, desgraçadamente, uma nova modalidade de valores. Sendo assim, de forma recursiva, faço reverberar os valores que vigoram no mundo de hoje.

Declino para melhor compreensão do assunto a lista mais famosa de hierarquia de valores de autoria de Max Scheler (1874-1928) que culmina, com os princípios religiosos, vindo em seguida, abaixo,  os éticos, depois os estéticos, os lógicos, os vitais e, no pé da classificação, os valores úteis.

À luz dessa ordem de valores, não é difícil detectar uma grande inversão nas prioridades do homem do século XXI. É notória a principal preocupação que polariza, atualmente, nossa vida, e o que colocamos acima de tudo, nesta fase de nossa existência. Essa inversão de valores me empurra, cada vez mais,  a “viver” e centraliza o meu existir nos bens de consumo. Por outro, há setores da so-ciedade que tem prazer em fazer apologia da pornografia. Outros fomentam a propagação das drogas. Todo esse amalgama de perversidades, deixa o cidadão comum sem saber se os valores que acata, respeita, preza e vive, são verdadeiramente valores corretos. A maioria não sabe o que pensar, pois que faz parte da massa, vive o contágio emotivo: Hoje o carnaval, amanhã o futebol, depois de amanhã o espírito de Natal, etc. Deste modo, com a consciência cauterizada, já não sei o que penso, digo, faço, acato e vivo. Não atento para mais nenhum aspecto da dignidade humana.

Os cânones da Constituição e, por exemplo, das religiões, são anacrônicos para orientar e, se possível, debelar as mazelas humanas do mundo de hoje. A Lei, porque  faz juízos de valor oficiais e obrigatórios para uma sociedade que desconhece as leis regidas pela Constituição Federal.  As religiões estão envolvidas até o pescoço, nessa questão de fazer juízos de valor. Regras e normas para todo lado, num dogmatismo implacável e farisaico. “Façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço” é a tônica dos principais líderes religiosos do presente século. Os modernos cientistas sociais, apesar de  cautelosos quanto a emitir juízos de valor a respeito das condições sociais que estudam, quando o fazem são de um pessimismo digno de Thomas Malthus (1766-1834).

Então, urge que a sociedade representativa, segmentos de toda ordem, dispensem extensiva abordagem sobre essa nova ordem de valores. Fazer avaliações morais, éticas e religiosas a respeito das condições da sociedade, dos atos pessoais e coletivos. Fazer ajuizamentos dos atos ou condições sob prisma daquilo que é “bom”, “mau”, “útil”, “inútil”, “legal”, “ilegal”,  “imoral e engorda”. A sociedade necessitar fazer disso uma prática diária e não discuti-los somente  em situação de conflito, de ressentimento, de luta pelo poder, de reivindicação por melhores salários, ou quando a porta já está arrombada. Naturalmente que um juízo de valor, com freqüência é algo subjetivo, condicionado pela cultura em que uma pessoa foi criada.

Contudo, não há dúvida que essa inversão de valores, na visão de qualquer leigo, é principal causa, dentre outras misérias: da pobreza, dos famintos, dos favelados, do menino de rua e do menor abandonado pelo pai desempregado; da alarmante exploração sexual infantil; da tirania política, da maldade e do cinismo dos vendedores de drogas. Igualmente, é essa inversão de valores que produz e causa sociedades egoístas, alheias à neurose do tempo presente e que leva o homem ao vazio existencial. Daí, os altos índices de suicídios entre, principalmente, os jovens que por não atingirem patamares de status social “valorativo”, entram em desespero de morte.

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