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Anistiado revela que se refugiou nas florestas do Acre e Amazonas para escapar da ditadura

A Gazeta do Acre por A Gazeta do Acre
15/09/2011 - 04:29
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Os anos da ditadura militar foram difíceis para a liberdade de expressão no país. Com mais de 2 décadas e meia desde o fim da era da opressão, suas marcas ainda seguem gravadas na memória dos milhares de brasileiros perseguidos. Um deles foi o médico Oswaldo Cid, de Cuiabá/MT. Hoje com 65 anos, já é anistiado e mora na sua terra natal. No entanto, para chegar a tal condição, ele revelou que teve de se refugiar na floresta amazônica, em especial no Acre e no Amazonas, para se proteger durante os tempos mais negros do regime.
Ditadura1509
O exílio de Oswaldo Cid nas matas locais foi de 3 anos, entre 1966 a 1969. Em tal período, ele conta que precisou ‘sumir’ da vista do governo temendo sofrer represálias pelo seu histórico no Rio de Janeiro e São Paulo. Ele havia sido preso ‘injustamente’, acusado de participar do congresso de Ibiúna/SP e do 1º Encontro Nacional dos Estudantes (ENE) e por assaltar um banco para juntar armas para guerrilha. “No meu dossiê, sou assaltante de banco no Rio de Janeiro. De onde tiraram, não sei. E, se aconteceu, também não sei. Porque, às vezes, a gente pirava”.

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Na prisão, ele comenta que dividiu sua cela com 2 ex-ministros de Lula (José Dirceu e Franklin Martins). Ficou preso em Tiradentes (SP) e São Paulo e resume como foi: “tudo aquilo que a Dilma falou que sofreu, eu passei por muito mais”. Ao sair, foi preso de novo pelo Dops e, depois, saiu logo do eixo da ditadura para cá, a fim de fugir de mais uma prisão.

Sozinho, Cid (ainda estudante de medicina à época) relatou que apenas colocou uma mochila nas costas e passou o seu triênio refugiado vagando como um andarilho. Foi conhecer pessoas novas aqui no Acre e aprender como ser um ‘estudante profissional’. E, assim, tentar progredir como médico, enquanto o medo o impedia de voltar pra casa.

Sobre o regime militar (1964-1985), a maior dificuldade atual no Brasil é localizar os exilados políticos. Muitos foram se abrigar em lugares distantes e, sem que tomem a iniciativa de se manifestarem para exigir seus direitos, o poder público não pode lhes indultar.

Além disso, conforme a Lei da Anistia Política (n 6.683), ao pedir do Estado os benefícios da anistia (indenização, restabelecimento de direitos políticos e de cargos públicos, etc), o solicitante deve ter provas suficientes de que realmente foi perseguido durante a ditadura. 

Para conseguir a sua anistia, Oswaldo Cid passou pelas mesmas dificuldades da maio-ria das vítimas do regime (tramites burocráticos, pouco conhecimento sobre a lei, etc). Ele contatou um dos melhores advogados do PCdoB de Mato Grosso e, tempos depois, conseguiu reaver seus direitos. Com a indenização recebida como anistiado (‘status’ que ele adquiriu há cerca de 10 anos), ele pretende doar uma parte ao partido, como forma de gratidão, e usar a outra parte para trabalhar na reabilitação de dependentes químicos de Mato Grosso.

 

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