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Sem poder andar, mulher já ficou confinada em casa por até 1 ano

Sonia - OL 2É possível ficar preso com portas abertas e nenhum material o prendendo? A aposentada Sônia da Silva, 40 anos, é a prova viva de que isso acontece. Atingida pela paralisia infantil aos 2 anos de idade, a mulher não tem o movimento de parte das pernas. Sem o apoio da família e com um filho adotivo que cumpre medida socioeducativa, Sônia revela que já ficou confinada em casa por até 1 ano.

O local onde vive é completamente insalubre. Com a geladeira vazia e poucos objetos na casa, Sônia diz ‘se virar’ como pode. Enquanto o filho, hoje com 18 anos, cumpria medida por envolvimento com drogas, ela dependia da ajuda dos vizinhos, que lhe traziam água e compravam os mantimentos. O salário mínimo da aposentadoria era retirado do banco por um parente, que evitava ter contato maior com ela.

O dinheiro que recebe é destinado ao aluguel e à comida. A casa, que já é pequena, foi dividida ao meio pelo proprietário e alugada para outra família, o que tornou tudo mais precário.

Apesar de ter ganhado uma cadeira de rodas, Sônia não a usa muito. Para chegar até a rua é preciso passar por um beco apertado, com lama e algumas madeiras improvisadas, que tornam difícil até a caminha de uma pessoa com pernas saudáveis.

Em casa, ela se arrasta pelo chão, por onde vez ou outra passam ratos. Sozinha, a mulher escala a cama e o sofá desgastado. Toma banho e faz as suas necessidades ali mesmo. O ambiente é de extrema pobreza. “É difícil, mas eu vou vivendo”, declara.

Sônia acredita que a vida seria muito melhor e mais fácil se morasse em uma casa própria e de fácil acesso. Com muitas necessidades que foram desprezadas a vida inteira pela família e pela sociedade, ela alega precisar de ajuda.

No entanto, sem telefone e endereço completo, fica praticamente impossível receber assistência. Para encontrar a casa de Sônia é preciso entrar pela rua principal do bairro Triângulo e virar no primeiro beco à direita. A propriedade em que a mulher vive é a última da espremida passagem. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)