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“Duas candidaturas significa a desconstrução da unidade dentro da FPA” diz Edvaldo Magalhães

 O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio, Serviços, Ciência e Tecnologia, Edvaldo Magalhães, concedeu entrevista À GAZETA na manhã desta quinta-feira, 16. Ele comentou os últimos acontecimentos políticos envolvendo o PC do B e sua relação com a FPA.

 O secretário também ponderou sobre as declarações de Aníbal Diniz. Disse que acredita na unidade da Frente Popular e não vê possibilidade de 2 candidaturas ao Senado Federal pela coligação, pois isso confundiria a cabeça do eleitorado acreano além de passar uma imagem de desunião dentro FPA. “Se não tivermos unidade, não convenceremos o eleitor”, destaca.
Além de ressaltar, durante toda a entrevista, que a deputada federal Perpétua Almeida será a candidata ao Senado pela Frente Popular, Edvaldo Magalhães afirmou, ainda, que o PC do B terá chapa própria para deputados estaduais e federais. Ele citou que o deputado estadual Moisés Diniz disputará uma das oito vagas na Câmara Federal.

ENTREVISTA

A GAZETA: Secretário, em coletiva à imprensa, o senador Aníbal Diniz disse a seguinte frase, referindo-se à deputada Perpétua Almeida e ao PCdoB: “a vantagem de estar em um partido pequeno é porque ela pode se autoproclamar candidata. Vou ouvir o meu partido”. O que o senhor pensa a respeito de tais colocações?
Edvaldo Magalhães: Não somos um partido grande no Brasil, mas no Acre somos grandes. Respeitamos e temos como princípio respeitar a autonomia dos partidos. Isso é um princípio da democracia e de quem faz alianças, ou seja, de não fazer intervenções nos processos internos dos outros. Tipo assim, não meter a colher em briga de casal. O PT tem uma forma de decidir, o PCdoB tem outra forma.

Para você ter uma ideia, a decisão sobre a candidatura da Perpétua envolveu 22 Conferências Municipais. Passamos o ano de 2013, do mês de março até o mês de setembro, nos reunindo. Mobilizamos quase 5 mil e terminamos com uma plenária estadual cuja a plenária decidiu pelo nome da Perpétua por unanimidade. Portanto, o nosso processo não foi por autoproclamação. Um processo altamente democrático. Essa é a nossa forma.

A GAZETA: A candidatura de Perpétua Almeida tem o apoio do PCdoB na-cional ou isso se restringe apenas ao PCdoB local?
E.M: A Perpétua está na lista das três prioridades nacio-nais decidida pelo PC do Nacional. Esse é um motivo para dizer que temos apoio nacional. Temos apoio local e temos o apoio da sociedade. Quando você tem apoio da sociedade é dizer que é uma candidatura bastante abraçada, que deve ser levada até o fim.

A GAZETA: Como ter dois candidatos ao Senado em uma mesma coligação? É possível isso?
E.M: Só existe uma Frente Popular. Não existem duas. Uma Frente só se caracteriza como Frente se ela for plural. Uma Frente materializa essa pluralidade na fotografia da chapa majoritária. Se você tem uma aliança e na hora de apresentar a chapa majoritária, a fotografia for monolítica, tem alguma coisa errada na aliança. Não reflete a pluralidade do conjunto.

Essa visão não é só do PCdoB, mas de todos os partidos da Frente. Portanto, nós somos convictos que não podemos transferir para o eleitor uma responsabilidade que é dos dirigentes da Frente Popular, ou seja, que é encontrarmos o ponto, o caminho, que reflita a unidade. Nós não admitimos, a legislação proíbe e a sociedade assim indica a possibilidade de termos duas candidatura ao Senado. Duas candidaturas significa desconstrução da unidade dentro da FPA.

A GAZETA: O senhor acredita que o momento seria para Aníbal Diniz renunciar esta pré-candidatura, que a cada dia se fortalece dentro do PT?
E.M: Não se trata de renúncia. O momento em que estamos vivendo é quando todos colocam os seus produtos na prateleira. O PT legitimamente com a candidatura do Aníbal, o PCdoB legitimamente com a da Perpétua Almeida. E logo chegaremos a um momento, sob a liderança do governador Tião Viana, no qual vamos encontrar o melhor caminho de fechar a chapa, que precisa ser plural para manter a unidade da Frente Popular e precisa ser competitiva para levar os projetos da FPA adiante.

A GAZETA: Há possibilidade de o PCdoB deixar a Frente Popular do Acre?
E.M: Somos construtores da Frente. Somos construtores da casa. Quem é construtor da sua casa não pode sair dela. Numa casa tem olhares diferentes, mas chega um momento que todos que construíram essa casa não vão querer tocar fogo nela. Portanto, eu não acredito em rompimento, de duas candidaturas ao Senado, porque só existe uma Frente. Não tem duas Frentes.

A GAZETA: Se a candidatura de Perpétua Almeida, ao Senado, não se concretizar ela vai disputar a reeleição?
E.M: Perpétua será candidata ao Senado! Não existe essa hipótese. Perpétua Será candidata ao Senado da República.

A GAZETA: Nesse contexto que se apresenta, qual é o futuro político de Edvaldo Magalhães?
E.M: A minha decisão já está tomada. Já discuti isso com o PCdoB. Aliás, foi uma discussão demorada para convencer os nossos dirigentes. Tratei isso no plano nacional, com a direção nacional do PCdoB. Eu tenho a convicção que nesse momento eu não devo ser nem candidato a deputado federal, nem estadual.

Uma candidatura a deputado federal minha, atrapalharia a composição da Perpétua ir para o Senado. Não quero dar nenhum motivo para nenhuma força política do nosso campo questionar a vaga do Senado vinculando a alguém, que é esposo a federal. A candidatura de deputado federal ela não ajuda, atrapalha. Foi uma decisão minha para facilitar o processo e o entendimento.

Segundo, havia um pedido de vários dirigentes do PCdoB que eu fosse candidato a deputado estadual, e eu cheguei à segunda conclusão que não seria justo. Também não seria honesto do ponto de vista de minha relação com os meus companheiros, eu voltar a ser deputado estadual tirando a possibilidade de outro companheiro meu, a oportunidade. Eles me deram a oportunidade de ser líder por 8 anos do governo. Eu presidi as principais comissões da Assembleia e depois eu fui presidente da Aleac por dois mandatos. Quer dizer eu já cumpri como agente parlamentar todos os requisitos. Por vaidade voltar? Não seria justo. Serei um militante número zero. Estarei na linha de frente para a reeleição do nosso governador Tião Viana, a eleição da deputada Perpétua Almeida ao Senado, e a reeleição da nossa presidenta Dilma.

A GAZETA: O senhor poderia ser o vice de Tião Viana, sendo que em uma conversa com um jornalista local, o governador teria levando a hipótese de seu vice ser uma pessoa do Juruá?
E.M: Aí não cabe. Não cabe por que aí nós estaríamos traindo o nosso discurso. Se a Frente tem que ser plural, o PCdoB ocupando a vaga de Senado não pode reivindicar outra posição dentro da chapa majoritária.

A GAZETA: Se Perpétua Almeida for rifada mais uma vez dos planos da Frente Popular do Acre, em 2014, qual é o futuro do PCdoB em 2015? Continua na FPA?
E.M: Olha o governador Tião Viana conseguiu algo extraordinária. Ele terminou as eleições de 2010, que foi um susto para a Frente Popular inteira. Ele em 3 anos conseguiu fazer algo que muitos da oposição achava impossível e muitos dos nossos eram meio descrentes, que era renovar a Frente Popular. O governador olhou para a economia e fez um grande investimento e colocou a economia do Estado do Acre como um dos esteios do seu governo e utilizou de uma prática de governo de proximidade com as comunidades, com as lideranças, desburocratizando o próprio acesso ao governador e por isso ele fecha 2013 muito bem posicionado.

O projeto da FPA apresentou uma perspectiva de renovação e apresentou uma longevidade que não existia na eleição de 2010. Nós do PCdoB somos construtores dessa fase de renovação. Então o futuro do PCdoB é junto da FPA, junto do governador Tião Viana e eu tenho absoluta certeza de darmos uma grande colaboração ao governo do Tião com a Perpétua no Senado da República.