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Francisco Assis
Francisco Assis dos Santos é filósofo e humanista. Email:[email protected]

Pródigos na arte de imbecilizar!

Nestes dias, apesar dos “modernos” apregoarem em alto e bom som que estamos experimentando coisas fantásticas, na realidade o mundo está mesmo é perdido no meio de um conjunto de dados desconexos e desintegrado, pois salta aos olhos de qualquer leigo a postura passiva da sociedade como um todo. Deixando-se governar e arrastar pelos impulsos, inclinações e paixões; pelas circunstâncias, pela opinião alheia e pela vontade do outro. A maioria está mesmo é para curtir as concupiscências da carne. A raça humana, quase na sua totalidade, está enquadrada  naquela máxima atribuída a Santo Agostinho: “certamente estamos na mesma categoria das bestas; toda ação da vida animal diz respeito a procurar o prazer e evitar a dor”.

Não julgamos mais à luz dos valores éticos, uma vez que, ao que parece não temos ou perdemos a capacidade de discernir e compreender essa realidade estúpida em que vivemos. Um exemplo grosseiro do que afirmo é a cultura alienante feita para imbecilizar.

Ultimamente, segmentos representativos da sociedade e alguns setores da mídia, principalmente a televisão com seus Big Brothers e Malhações estão, hoje,  muito mais do que no passado, tendenciosos e pródigos na arte de imbecilizar.

O  jovem brasileiro e, por extensão os jovens do mundo inteiro não são imbecis, mas estão sendo imbecilizados. Outro dia, na divulgação de uma nova linha de celulares, colocaram a figura de um jovem, em outdoor, com os olhos virados segurando o aparelho, com cara de cretino. Entretanto, quem são os fomentadores ou pródigos na arte de imbecilizar?  

A moda, com seus modismos é uma fonte de idiotice juvenil, transforma jovens de bom caráter, em potenciais idiotas. Exemplo crasso da minha afirmação  é o  São Paulo Fashion Week, em que jovens, durante o desfile, vestem modelos esdrúxulos.  Em sã consciência, leitor, será que existe alguém que faça uso em público desses lançamentos de vestuário sem ser doido ou idiota? A não ser que seja alienígena, 5º elemento, ou constrangido pelo manjado “topa tudo por dinheiro”. O pior é que essa é uma idiotice que deixa muita gente rica.

A música entre aspas, com seu vocabulário relaxado (chulo) do tipo: “Aí se eu te pego” tem sido um dos principais caminhos da idiotice bem como da alienação dos  costumes, minimamente aceitáveis, de muitos adolescentes e jovens. Muitos  juvenis, até um dia desses, eram fãs de Justin Bieber. A quem um cronista nacional chama de   “ídolo Teen vazio com seguidores, na maioria, debiloides”.

A propósito alguém sabe por anda o tal de “Teló?” Finalmente, esse rapaz foi considerado, pela crônica especialista em música alienante, como o melhor  cantor de 2012. A propósito de música chula:  “Lepo, Lepo” foi escolhida a melhor música do carnaval baiano deste ano. Emocionado o “cantor” da preciosidade  tentava explicar, ao repórter da Band, a inspiração e filosofia da peça rara. “Ímpissionante!” diria aquele personagem do antigo humorístico Chico Total. Falando de coisa cômica, o humor de hoje, entre aspas, do tipo Pânico na TV, dentre outros é de uma imbecilidade elevada ao quadrado.

Outro campo permeado de idiotices é o que apresenta essas “peças” publicitárias produzidas por alguns iluminados que, no mínimo, acham que a gente é imbecil. A campeã do momento é aquela protagonizada pela Fernanda Lima e o namorado na praia, num “diálogo” idiota sobre internet.

Entretanto, como exemplo, vou aguçar a mente do leitor, fazendo-o lembrar de um artifício publicitário, veiculado em dias idos, na TV, cujo teor era mais ou menos assim: O suposto motorista de um hospital acaba de fazer limpeza num carro ambulância que atende o hospital. De repente, surgem “enfermeiros” transportando um “paciente” todo ensanguentado, em estado de emergência, pronto para ser transportado para, subentende-se, uma UTI. O motorista, quase tão insano quanto quem produziu a peça, diz: Acabei de limpar… Não vou deixar emporcalhar o carro!

O grau de ofensa e cretinice dessa peça publicitária é, no mínimo, ofensivo. De início chama o hipotético paciente de porco; quem emporcalha é porco. Depois produz uma inversão de valores: carro,  independente do valor, marca ou designer, é só um bem de consumo. A vida humana é um bem supremo, é incomparável, mesmo em filmes de ficção. A impressão que fica dos filmes publicitários do mundo moderno é que eles são produzidos por mentes privilegiadas que, provavelmente, vivem no mundo supralunar. Mundo supralunar, para quem não sabe, é composto de seres celestiais; em outras palavras, seres iluminados. Deduzindo arbitrariamente, numa definição nominal, pode-se afirmar que essa gente “é o bicho”.

Portanto, o que se pode esperar da atual e próxima geração, com todo esse despertar de induções pernóstica, sórdida e nociva, alienante e imbecil é o agravamento dos problemas vividos pela juventude. O que é, sob todos os prismas, tremendamente lamentável.

Arthur Schopenhauer (1788-1860) em seu livro Aforismos Para a Sabedoria da Vida diz-nos que: “o homem com destreza mental não teria como se desenvolver numa sociedade de imbecis” e acrescenta: “feliz dele quando escapa são e salvo!”

*Pesquisador  Bibliográfico em Humanidades.
E-mail: [email protected]