Senador ressalta pesquisa que trata sobre o futuro climático da Amazônia

O senador Jorge Viana ressaltou a importância da pesquisa realizada pelo biogeoquímico Antônio Nobre, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST), braço do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), onde afirma que a floresta amazônica já está em seu limite no que diz respeito ao seu papel de regular o clima da América do Sul.

O estudo, cujo título é “O Futuro Climático da Amazônia”, tenta explicar as possíveis causas e efeitos da bagunça climática recente e apresenta soluções que minimizariam os impactos negativos dessas alterações.

Segundo dados da pesquisa, o desmatamento na região amazônica influencia a falta de água sentida nas regiões mais populosas do país, incluindo o Sudeste.

“Em seu relatório, que revisou cerca de 200 outros estudos sobre a região amazônica, Nobre mostra que a floresta já não está conseguindo bombear umidade do oceano para o interior da América do Sul, colocando em risco o papel de ‘bomba d’água biótica’ que a floresta exerce”, disse Jorge Viana.

O relatório indica que a retirada da cobertura vegetal interrompe o fluxo de umidade do solo para a atmosfera. Desta forma, os “rios voadores”, nome dado a grandes nuvens de umidade, responsáveis pelas chuvas, que são transportadas pelos ventos desde a Amazônia até o Centro-Oeste, Sul e Sudeste brasileiros, não “seguem viagem”, causando a escassez hídrica.

O senador destaca a necessidade de se iniciar um grande processo de reflorestamento para conter a situação. “Com 20% da floresta desmatada e outros 20% degradados, a seca que a região Sudeste vive hoje já pode ser resultado da destruição da Amazônia. E para reverter à situação já não basta parar de desmatar, mas será necessário iniciar um grande processo de reflorestamento, uma vez que a floresta já está próxima do ‘ponto de virada’ a partir do qual não seria mais capaz de se sustentar sozinha e garantir a própria umidade, entrando num processo de savanização”, frisou.

O parlamentar petista afirma que “os resultados do relatório de Antônio Nobre apontam um quadro mais grave do que aquele previsto no último relatório do Painel Internacional da ONU sobre Mudanças Climáticas (IPCC)”.

De acordo com a primeira parte deste relatório, caso as emissões de gases do efeito estufa continuem crescendo às atuais taxas ao longo dos próximos anos, a temperatura do planeta poderá aumentar até 4,8 graus Celsius neste século, o que poderá resultar em uma elevação de até 82 centímetros no nível do mar e causar danos importantes na maior parte das regiões costeiras do globo.

A segunda parte do relatório será divulgada neste domingo, 2, pelo presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o ministro de Meio Ambiente do Peru, Manuel Pulgar-Vidal.

Esse relatório terá como objetivo funcionar como guia para que os desenvolvedores de políticas públicas consigam chegar a um acordo para redução das emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pela elevação da temperatura do planeta.

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