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Francisco Assis
Francisco Assis dos Santos é filósofo e humanista. Email:[email protected]

Sem bola, sem alma e sem técnico

A derrota sofrida pela seleção brasileira no torneio Copa  América, vem agravar ainda mais as infâmias, próprias dos dias atuais, por parte de quem lida diretamente com o futebol no Brasil e dele, futebol, se beneficia naba-bescamente.  Fato, notório e público, já que qualquer cidadão brasileiro, por mais humilde que seja a sua condição social, já sabe.

A CPI do futebol, em nível nacional; as acusações e prisões feitas pelo FBI, em nível mundial, traz à tona a existência duma máfia, ou melhor, dum sistema poderoso que dá as fichas no futebol mundial; sistema composto de dirigentes de clubes famosos, alguns destes levaram à falência clubes de grande tradição no cenário internacional.  Completam a lista:  dirigentes de federações de futebol; políticos inescrupulosos; grandes “empresas” e falsos empresários, estes com a conivência de muitos, falsificam documentos de jovens jogadores, adulterando-lhes a idade, com o fim de negociá-los por muitos dólares lá fora. A propósito, os clubes de futebol no Brasil estão falidos, sejam os daqui do Acre, sejam os da chamada elite do eixo Rio/sãopaulo. Por outro lado, as federações, mesmo aquelas que administram times de série D estão muito bem obrigado. Agora mesmo a Federação Acreana recebeu 1.8 milhão da CBF. Fecha pano!



O “business” que envolve o futebol é imensurável (que não se pode medir), significa que por maior esforço que façamos, não há mortal na face da terra que possa presumir  o montante financeiro em que está submergido o futebol; pode se dizer que a gigantesca negociata  sobrepuja “negócios espúrios” altamente rentáveis como: o tráfico de drogas;  prostituição infantil, e outros ilícitos. Nada abate em termos de cifras, esse fantástico negócio. Portanto, a desclassificação do time brasileiro, deixou no mínimo furiosos os que  amealham riquezas em cima desse sistema.

A outra face da moeda, neste tema que abordamos, tem a ver com os meios de comunicação. Forte setores desse segmento tem parceria promíscua com dirigentes de clubes, empresários do tipo J. Hawilla (Traffic) que constrangido devolveu 151 milhões de dólares por conta do recente escândalo da FIFA. Comentaristas medíocres que vivem a “deitar elogios” e a endeusar pernas-de-pau, numa verdadeira afronta a quem realmente foi craque na acepção da palavra. O endeusamento, por parte da mídia, de alguns “jogadores de futebol” é terrível. Qualquer jogadinha de efeito, das raras que se vê em 90 minutos, lá vem o célebre: Saaabe tuuudo! Ou ainda, É um MONSTRO!

No entanto, o mais cruel é que perdemos o folclórico próprio do futebol. Por exemplo, alguém pergunta: O que faltou à seleção? A resposta é patética: INTENSIDADE! E eu que pensava que faltou “bola” porque não temos bons jogadores. Faltou “alma” porque grande parte deles são “mercenários”. Faltou tecnico, porque o Dunga quando jogava praticava o antijogo. Então, é uma “seleção” sem bola, sem alma e sem técnico. Todavia, para alguns sapientes, faltou INTENSIDADE. Aliás, intensidade é um linguajar do Tite do Corinthias, que a mesmice tupiniquim vive a repetir. Trágico!

O folclórico no futebol, acabou mesmo. Não existe mais aqueles jargões: “galinho de quintino” (Zico);  “cara de ovo” (Tostão); Ademar “pantera”; Sabá, “burro preto” Tomás “passa fome”; Edson “macaxeira”; “zona do agrião”, “lá onde a coruja dorme”; “tem peixe na rede” entre outros. Os estádios agora são “arenas” termo que por si só é sinônimo de VIOLÊNCIA. Menos mal, que ainda existe o “caiu no horto, está morto”; “curuzu” campo do Papão de Belém; um tal de Renato CAJÁ e um Luciano BOMBOM. Tipos de jargão, que no Brasil dava vida ao nosso futebol e foi fundamental no campo do folclore futebolístico. As frases feitas, os apelidos de jogadores, os gestos, as crendices e, até mesmo, as superstições, como p.ex: “os deuses do futebol não permitiram que a bola entrasse….” Não são mais tão comuns no futebol.

Não sou daqueles que só veem coisas boas no passado, em prejuízo das coisas boas do presente, mas tomo as experiências vividas no passado para compreender o presente; não há só mazela no presente, mas em termos de futebol o que se nos apresenta no momento, nada mais é do que um comércio ufanista da pior espécie. Pouca coisa se aproveita das dezenas de jogos que são transmitidos semanalmente pelo Brasil afora. Os jogos chegam às raias da mediocridade, onde pontificam: as jogadas desleais, beirando a violência e a emulação desenfreada na busca de fama. Nem mesmo a alta tecnologia, que produz gramados bem tratados, chuteiras sofisticadas, de todas as cores, e bolas levíssimas, consegue melhorar a performance desse esporte tão querido de todos nós brasileiros. Lamentavelmente, perdemos a aura!

*Pesquisador  Bibliográfico em Humanidades.
E-mail: [email protected]

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