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Recusa e escolha de vacinas contra a Covid-19 ainda é desafio para avanço da imunização no Acre

Médico aponta que as fake news e o desconhecimento acerca dos avanços da medicina contribuem para a recusa ou baixa procura

Embora a vacinação contra Covid-19 no Acre esteja avançando consideravelmente, a recusa de vacina por parte da população ainda representa um desafio.

De acordo com Renata Quiles, gestora estadual do Programa Nacional de Imunização (PNI), não é possível mensurar quantas pessoas recusaram a vacina no Estado, no entanto, a recusa é perceptível nas unidades de saúde.

“A recusa é percebida, primeiro porque as pessoas não buscam a vacinação de forma alguma, segundo porque há quem saia da fila quando percebe que não é o laboratório de preferência, sem contar aqueles que não retornam para completar o esquema com a segunda dose”, explica Renata Quiles, gestora estadual do Programa Nacional de Imunização (PNI).

Até o momento, 78,44% do público-alvo com idade acima de 18 anos foi vacinada no Estado, o que significa que 21,56% da população vacinável ainda precisa receber a primeira dose da vacina.

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De acordo com dados do PNI, no Acre, 379.919 pessoas foram vacinas com a primeira dose e 133.055 com a segunda dose de vacinas contra a Covid-19

Segurança das vacinas

O médico infectologista Eduardo Farias aponta que fatores como as fake news relacionadas às vacinas e também o desconhecimento da população quanto ao avanço da medicina são fatores que contribuem para a recusa da vacina por parte da população.

“Aqui no Acre as pessoas são muito influenciadas, até por conta desse viés político, existe muita gente que ainda segue rede social ligada a eles e eles produzem muito material anti-vacina, anti-ciencia, negacionista, acho que isso influência muito dizendo que vacinas são perigosas. ‘Como pode em um ano fazerem uma vacina?”Estão usando a gente como cobaia’, então aquelas teorias de conspiração. Uma campanha negacionista, anti-vacina, produzindo vídeos com fake news para causar medo nas pessoas, então acho que isso tem a ver com como foi o resultado da cobertura vacinal aqui”, destaca Farias.

Para o infectologista, é preciso que as pessoas entendam que a medicina tem avançado, e graças a isso, o mundo pode ter acesso a vacinas seguras e eficazes em tão pouco tempo.

“A medicina avançou muito, a gente sabe muito mais coisa hoje, tem muito mais equipamento, computadores de última geração, temos modelos matemáticos que permitem que você pense em uma vacina totalmente teórica para depois você colocar em prática com mais confiança, então primeiro: nós temos hoje muita tecnologia na medicina que permite que a gente tenha esses avanços. Além disso, vacinas já são usadas há séculos em nós humanos e nas últimas décadas eles vem cada vez mais aprimorando, então vacina também não é um bicho de sete cabeças (…) não é nada além de um mecanismo que estimula seu sistema imunológico, então não tem chip dentro, não tem metais, nada disso”, esclarece Eduardo Farias.

Uma das formas de recusa da vacina é não procura da segunda dose. Muitas pessoas ainda possuem receio de sentir alguma reação, no entanto, o médico infectologista destaca que “algumas pessoas tem reações muito brandas que duram de um a dois dias, porque às vezes as pessoas reagem ao componente da vacina ou até o inócuo pode causar um leve mal estar, uma sensação como se fosse gripar. Muita gente que não teve isso na primeira dose pode nem ter na segunda”, disse.

O médico finalizou dizendo ressaltando que as vacinas já foram aplicadas em todo o mundo e há indicadores claros que comprovam que as vacinas contra a Covid-19 protegem as pessoas de efeitos graves da Covid-19.

“Essas vacinas já atingiram milhões de pessoas no mundo todo e você não tem nenhuma catástrofe anunciada, e nem nenhum tipo de denúncia dizendo que aconteceu algum tipo de tragédia, então são milhões de pessoas vacinadas em várias partes do mundo sem que a gente tenha nenhum efeito maior que causasse suspeitas pelas autoridades de saúde. Ao contrário, nós temos indicadores bem claros de que quem toma a vacina realmente se protege”, concluiu o médico infectologista Eduardo Farias.

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