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Criança fã de coletores de lixo entrega lembrança de Natal para os amigos, no Acre

Com apenas 2 anos de idade, Miguel faz questão de encontrar os coletores todas as noites em que passam na sua rua e já teve uma festa de aniversário temática de "Caminhão de Lixo"

 

Para quem acredita na mensagem e história do Natal é certo que este é um momento de partilhar amor e se reunir com a família e amigos. O pequeno Miguel, de apenas dois anos de idade, não deixou a tradição de lado e entregou presentes para os amigos que fez há mais de um ano: os coletores de lixo. Na noite da última quinta-feira,23, seus pais preparam a entrega de panetones e doces para os trabalhadores que são esperados com ansiedade pelo filho toda a semana.

A mãe de Miguel, Leidiane Queiroz, assistente social, conta que a admiração da criança pelos coletores surgiu quando ele tinha cerca de um ano. O carro do lixo que passa, três vezes por semana na rua da família, no bairro Rui Lino, começou a chamar a atenção do pequeno que aos poucos foi criando uma relação com os trabalhadores.

“Pelo fato dele ser uma criança bem extrovertida e gordinha, eles gostaram dele e ele começou a conversar com eles. Chamava a gente para ir ver no portão e assim a gente começou a levar ele toda semana para dar uma olhada. Assim ele ficou amigo dos meninos, que agora coletam o lixo todo aqui em frente de casa para ele ficar mais tempo olhando e assim é três vezes por semana. Quando o Miguel já não está esperando na porta eles ligam o carro, a sirene, e o Miguel já chama a gente para o portão”, relata a mãe.

Com a chegada do Natal, Leidiane decidiu presentear os amigos do seu filho que se encontram frequentemente e com dias marcados, sempre às terças-feiras, quintas e aos sábados. A família, que sempre conversa e oferece lanche para eles, preparou uma mesinha na frente de casa e Miguel entregou o presente pessoalmente para cada um. “Nada mais justo do que no Natal, eu dar uma lembrança, compartilhar a alegria que eles trazem para o Miguel”, explica.

“Nada mais justo do que no Natal, eu dar uma lembrança, compartilhar a alegria que eles trazem para o Miguel”, comenta Leidiane. (Foto: Arquivo Pessoal)

A admiração do pequeno é tanta que o tema da sua festa de aniversário de dois anos, em maio, foi “Caminhão de lixo”, com direito a uma roupa feita especialmente para o aniversariante, semelhante à dos coletores. A ideia era realizar a comemoração inspirada em algo que o filho gostasse, e foi Miguel quem escolheu. Os convidados foram selecionados e se resumiram em alguns familiares e claro, os amigos da coleta de lixo.

“Eu mesma fiz tudo, devido a pandemia, que estava no auge, os únicos convidados foram eles e nossa família mesmo. Eles não puderam ficar por muito tempo, mas fizemos umas cestinhas para eles e eles desfrutaram de tudo que teve na festa. E sobre a roupa, ele se sente com essa roupa, quando ele veste não quer tirar de jeito nenhum!”, comenta a mãe.

A amizade de Miguel com os coletores trouxe momentos inesperados para a família, como a noite em que eles estavam em uma pizzaria da cidade e o caminhão de lixo passou pela rua. Leidiane conta que os coletores reconheceram seu filho mesmo em um ambiente fora de casa. “Isso para mim já é o bastante, porque é um gesto tão lido deles, de reconhecerem uma criança tão ingênua que admira tanto eles”, se emociona.

Para a mãe, falar sobre Miguel é se emocionar de alegria. Com pouco mais de dois anos de idade, as atitudes do pequeno trazem reflexões constantes para a família que se surpreende com a pureza do filho.

“Eu penso que se todos os adultos tivessem a inocência e o coração de uma criança o mundo seria bem melhor. Hoje em dia, ainda tem pessoas que ao colocar o lixo na frente de casa, colocam de qualquer forma. Não pensam que são pais de família trabalhando, são pessoas que nem a gente.  A minha admiração é sobre isso e quero que o Miguel cresça tendo essa visão da  profissão que também é digna como qualquer outra”, afirma Leidiane.

“Quero que o Miguel cresça tendo essa visão da  profissão que também é digna como qualquer outra”, afirma a mãe.