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ano novo

Líderes religiosos refletem sobre 2021 e trazem orientações para 2022

A Gazeta do Acre ouviu quatro representantes de diferentes religiões que fizeram uma reflexão sobre 2021 e trouxeram orientações para 2022, a partir de cada vertente

Em tempos difíceis como está sendo a pandemia do novo coronavírus desde 2020, fica ainda mais comum ouvirmos falar sobre fé, esperança e busca por refúgios. Não é de hoje que as religiões configuram-se como instituições sociais significativas na vida cotidiana e para além de cada especificidade de doutrina, o amor e a bondade se tornam um valor em comum entre a maioria delas.

O site A Gazeta do Acre conversou com representantes de quatro religiões diferentes que atuam no Acre. Da Umbanda ao catolicismo, ouvimos a Mãe Marajoana, o Pastor Agostinho Gonçalves Ribeiro, a espírita Maria José Dantas e o Padre Mássimo Lombardi sobre o ano de 2021 e como cada visão pode nos ajudar a ter um melhor ano novo.

Umbanda – Mãe Marajoana


“Nossa missão (em 2021) foi trazer um ciclo mais humano, agregador e acolhedor”, reflete. Mãe Marajoana

Da Tenda de Umbanda Luz da Vida, a Mãe Marajoana afirma que 2021 foi um ano de força, em que muitos buscaram força para ajudar o outro, acolher, tirar do sofrimento e para trazer o outro para mais próximo de nós.

“Em 2021 teve quem ficou, quem partiu, quem se curou e quem se reencontrou. Teve quem construiu muros e quem agregou. Nossa missão foi trazer um ciclo mais humano, agregador e acolhedor”, reflete.

Para 2022, Marajoana destaca o princípio do olhar para si mesmo que a Umbanda traz como principal caminho para um ano melhor. Ela explica que é preciso aprender a sermos mestres de nós mesmos.

“Quando a gente aprende que não é sobre o mundo de fora, mas sim sobre o mundo de dentro, ele fica menos agressivo, menos dolorido para quem é doente, mais alegre para quem é triste, mais organizado para quem é desorganizado. A Umbanda é a religião que traz a diversidade, essa pluralidade, de formas de cultura. Cada um tem seu jeito de cultuar, de orar, de agradecer, de louvar, de ofertar. Cada um tem seu jeito de como encontrar essa morada, esse religar com Deus”, explica.

Dessa forma, 2022 também é um ano para trabalhar a aceitação do próximo, do diferente, pois, segundo ela, ao aceitarmos o outro, conseguimos focar em nós mesmos e nos aceitar.

“Deus está em todos os lugares, mas as vezes pode não estar, porque se ele não estiver dentro de você ou você dentro desse lugar que permeia a energia de Deus, você não o encontra. A Umbanda traz o sentido de olhar além dos teus olhos, de quebra de paradigmas e preconceitos, de quebrar muros, daquilo que muitas vezes você arma para si. Que os nossos terreiros não venham só para que as pessoas nas suas dificuldades, mas que venham louvar a Deus, aos Orixás, as ancestralidades, àquilo que acreditam. Porque é essa a diversidade que há dentro de um terreiro. Você não precisa saber falar a língua do tupi guarani para poder falar com Deus dentro do terreiro. Você só precisa silenciar a mente, o corpo a alma e permitir-se viver um novo mundo. Isso que é que a Umbanda quer. Que a gente permita-se viver um novo mundo”, orienta.

Evangélica – Agostinho Gonçalves Ribeiro

“Se nós quisermos viver algo novo temos que esquecer as perdas de 2021”, afirma o Pastor Agostinho Gonçalves Ribeiro.

Presidente da Igreja Batista do Bosque, o Pastor Agostinho Gonçalves Ribeiro, afirma que 2022 será um ano de viver coisas novas e acredita que vivermos avanços na área de emprego e geração de renda. Ele reforça as grandes perdas de 2021 e avalia o período como um ano de sofrimento. Entretanto, ele afirma que é preciso esquecer o passado para ter um novo ano.

“2022 é o ano de viver algo novo. Nós cremos nesse novo e para isso não podemos olhar mais para trás. Se nós quisermos viver algo novo temos que esquecer as perdas de 2021, esquecer os problemas que nós tivemos em 2021. E vamos poder viver algo novo em 2022”. Em tempos tão difíceis como os que temos vivido, de muitas perdas, a fé que buscamos está em Deus. Deus vem a nosso socorro, porque é normal que muitos percam a fé nesses tempos. Mas quando a pessoa perde sua fé, Deus vem a seu encontro e renova sua fé. Deus não espera a gente ficar sozinho se debatendo sofrendo de braços cruzados. Ele entra na nossa luta, nos nosso problemas, vem a nosso encontro e renova nossa fé, esse é o nosso Deus”, afirma o Pastor Agostinho.

Espiritismo – Maria José Dantas

“As   grandes transformações  nem  sempre  acontecem  de  forma  simples,  mas  em  um  contexto  a  exigir mudanças coletivas e individuais”, destaca Maria José Dantas

Pelos  fundamentos  que  regem  a  Doutrina  Espírita,  codificados nas  obras de Allan  Kardec, a membro do Centro Espírita Portal Francisco Cândido Xavier, Maria José Dantas reflete sobre o ano de 2021. Ela explica que para toda a existência da humanidade terrena, os desafios se compõem de aprendizados para o progresso do espírito de casa um. No ano que se encerra foram a pandemia ainda foi o maior desafio ao afetar a sociedade em vários âmbitos (economia, políticas sociais, educação, etc).

“Além de tudo, outros eventos naturais, como alagações, devastação das florestas pelo fogo e ações humanas, embora previsíveis, o próprio planeta responde com a Lei da Destruição, para mais tarde renascer e se regenerar, conforme resposta dada a Kardec, na questão 728 em o Livro dos Espíritos. Quanto aos indivíduos, ressoavam provações particulares vivenciadas por cada um de nós. Para muitos, grandes perdas materiais, além das dores, aflições, incertezas, medo… se expressavam na própria carne ou na perda de familiares e amigos, independente da condição social. Problemas emocionais e transtornos mentais se agigantaram a requerer atendimentos psicológicos, fraternos e espirituais, enquanto as equipes de saúde eram chamadas aos plantões exaustivos voltados exclusivamente a salvar vidas acometidas pela pandemia”, refletiu.

Dessa forma, Maria José explica que pelo aspecto filosófico-cristão do Espiritismo, 2021 foi um ano de muita provação e expiação para toda a humanidade, como um  momento de transição planetária,   na   perspectiva   da   Lei   de   Evolução para todos. “As   grandes transformações  nem  sempre  acontecem  de  forma  simples,  mas  em  um  contexto  a  exigir mudanças coletivas e individuais”, destaca.

Para 2022, tais eventos e desafios devem servir de aprendizado. “São nos momentos difíceis que podemos repensar nossas condutas e atitudes ética-morais; é quando o homem pode se renovar. Vimos, por exemplo, países “que eram inimigos históricos de guerra”, unirem-se por solução, na produção de vacinas. Enquanto no plano individual, gerou-se relações e ações mais fraternas, mais solidárias, mais humanizadas. Na reclusão do lar, voltamo-nos mais para o cuidado com nossas famílias; viu-se solidárias doações no socorro aos sem tetos e sem pão. Por isso as palavras de ordem são justiça, amor e caridade, a despertar e permanecer em todos nós! Por fim, primando pela prática do cristianismo redivivo,  lembramos  as  palavras  do  mestre Jesus, nosso modelo e guia, em João 16:33, “Tenho-vos dito, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”, afirma.

Catolicismo – Padre Mássimo Lombardi

“Temos que fazer nossa parte, a gente não pode ter uma fé sem fundamento”, defende Padre Mássimo sobre a vacinação contra Covid-19.

Da Igreja Católica, o Padre Mássimo Lombardi, que realiza trabalhos em comunidades carentes, como no Conjunto Habitacional Cidade do Povo, destaca como a desigualdade social ficou ainda mais forte em 2021. “Pessoalmente, avalio o ano de 2021 como muito difícil, muito complicado, muito sofrido. Muitas famílias ficaram desempregadas, perderam o benefício (auxílio emergencial) e direitos como aposentadoria. Vejo que, economicamente, os mais pobres ficaram numa situação muito complicada e sofrida, apesar da solidariedade”, relata.

Entretanto, ele vê também como um período que aumentou a solidariedade entre as pessoas em vários sentidos, seja em grandes campanhas de doações e arrecadações para pessoas em situação de vulnerabilidade como nos pequenos gestos. “Vi uma solidariedade do pequeno que ajuda o pequeno. Vi muitas pessoas que receberam cesta básica compartilharem com familiares e amigos”, afirma.

Para Mássimo, 2021 também possibilitou a união por meio das redes sociais, inclusive com a Igreja, o que, segundo ele, resultou em um vínculo mais forte entre os fieis que compareceram em número maior quando os encontros presenciais retornaram.

Sobre o ano de 2022, o Padre fez questão de reforçar a importância dos cuidados com relação à saúde pública. Com base em ensinamentos bíblicos, ele falou sobre a necessidade da vacinação para que tenhamos um ano melhor.

“A Igreja sempre é aquela que planta a esperança nos corações da pessoas, então mesmo numa situação de tempestade nós temos fé que a tempestade vai passar. Mas se de um lado temos a insistência na fé, na esperança, no amor, no ensinamento de Jesus, a gente sabe também que Jesus Cristo quer nossa colaboração. Como podemos colaborar para que isso aconteça? A gente insiste muito na vacina (…) Nós precisamos realmente exigir, pelo bem comum, pela segurança geral que quem não é vacinado tem que ficar em casa, não vá trabalhar, não vá à Igreja. Acredito que para entrar na Igreja tem que ter o passaporte de vacina, porque é um perigo para os outros. Então você tem que sair de casa vacinado e isso tem que ser também com as crianças. Fé em Deus, mas também a nossa colaboração. ‘Ajuda-te que Deus te ajuda’, como se dizia na Itália. Temos que fazer nossa parte, a gente não pode ter uma fé sem fundamento”, defende.

Padre Mássimo encerra falando sobre a união pelo bem comum como uma guerra que estamos enfrentando. “Precisamos de uma disciplina, levar a sério, muito a sério para não demorar demais. Se a gente levar a sério o ano de 2022 será o ano da vitória! A guerra se vence se o exército é disciplinado”, finaliza.

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