Ciatran admite ser difícil coibir prática de ‘racha’ nas ruas de Rio Branco

Rachas
Muitos jovens acham que o ‘racha’ de rua é sinônimo de emoção, adrenalina e alta velocidade. Porém, a parte que não enxergam é que basta um descuido mínimo, apenas um, para que se torne também o sinônimo de dor, morte e tragédias, em especial quando promovidos em perímetros urbanos. O caso mais recente deste significado foi comprovado pelo jovem de 26 anos que morreu carbonizado na tarde de sexta-feira da semana passada, dia 25, durante uma destas disputas no Tropical. Poderia ter sido mais um Natal tranqüilo entre ele e sua família. Mas, ao invés disso, se tornou um dia calamitoso na vida de todos os que o conheciam.

De acordo com Edener Franco, comandante interino da Companhia de Trânsito (Ciatran), os ‘rachas’ de rua infelizmente ainda fazem parte da realidade de Rio Branco e, devido à espontaneidade, é uma prática difícil de ser coibida. Segundo o capitão, eles podem acontecer a qualquer momento, principalmente de noite e de madrugada, e em qualquer região da cidade que lhe seja favorável (pista reta, asfaltada, sem policiamento, com pouco tráfego de veículos e pessoas). Atualmente, as duas vias preferidas dos corredores de ‘racha’ são a Chico Mendes e a Verde. Alguns estendem o campo de atuação até as ruas principais de bairros e avenidas.

Por conta disso, não há dados concretos do número de ‘rachas’ na cidade. Muitas vezes, a própria aproximação da viatura policial já cessa a atividade num local, impossibilitando contabilidade estatística. Ou seja, só é possível autuar um ‘racha’ se o policial estiver presente no momento exato em que esteja acontecendo (flagrante). “E isso está se tornando cada vez mais difícil de fazer, pois quem pratica já tem hoje um esquema de segurança. Eles deixam um olheiro num ponto estratégico para averiguar a situação e alertar aos outros da chegada da polícia”, argumentou Edener Franco.

O comandante também conta que os seus praticantes são, de modo geral, jovens entre 17 a 28 anos que estão começando a dirigir, gostam de velocidade, de testar limites e acabam exagerando nas corridas. Daí, o resultado é trágico. “Nós, da PM, fazemos até muitas operações para acabar com isso. Colocamos várias blitzen nas ruas para autuar em flagrante, mas é impossível ser onipresente. E é justo nos nossos pontos fracos que fazem os ‘rachas. Foi o caso deste rapaz. Ele escolheu um lugar tranqüilo, onde não havia índice de ocorrências dessa atividade e, lógico, acabou mal”, explicou.   

Conforme Edener Franco, o que a Ciatran e a PM podem fazer para liquidar com os ‘rachas’ de rua está sendo feito. Porém, deve partir da própria sociedade acreana as conversas, orientações, campanhas e/ou outras medidas no sentido de conscientizar os seus jovens dos riscos mortais de dirigir em alta velocidade.

“O que podemos fazer nesse sentido é sempre aconselhar às famílias, aos pais, a procurar saber mais sobre a vida do seu filho, o que ele anda fazendo e quais são as suas companhias. Porque muitas vezes o jovem está envolvido nisso e a própria família nem desconfia até que algo de ruim aconteça. Além disso, os ‘rachas’ envolvem toda uma questão social que coloca em perigo a vida de outrem. Portanto, o que houve com esse último caso do rapaz de 26 anos foi lastimável, mas eu espero que possa servir de alerta para a população e que isso ajude a evitar novas ocorrências”, apelou.

Outra ação que pode ser tomada é a denúncia dos ‘rachas’, que pode ser feita através do telefone da Ciatran (3221-8051) ou mesmo pelo disque-denúncia (190).

“Rachas autorizados” ou ‘arrancadões’
Muitos acreditam que a falta de competições organizadas de corridas de carros, ou dos famosos ‘arrancadões’, fa-riam com que os ‘rachas’ de rua diminuíssem aos poucos na cidade, até o ponto de serem extintos. Na avaliação do comandante interino da Ciatran, esta é uma questão relativa. Segundo ele, os “rachas autorizados” não impõem nos corredores a mesma adrenalina dos ilegais de rua, por isso, poderiam ser vistos também como estímulo a mais para as corridas. Talvez até contri-buíssem para o aumento dos ‘rachas’ na Capital.

“O perfil da maioria dos jovens que praticam o ‘racha’ em Rio Branco não é de fazer o que é permitido ou não. É de ousar, de dizer que pode ir mais além até do que a Lei. Desta forma, eu creio que essa não é a melhor saída para conter os ‘rachas’, e sim o policiamento e a conscientização. Além do mais, é preciso levar em conta as proporções desse ‘racha autorizado’, porque mesmo este tipo exige alta velocidade e manobras super perigosas: duas receitas para uma tragédia. Então, é muito complicado para uma autoridade de trânsito autorizar uma prática como essa”, argumentou.

Uma dor de cabeça para a Ciatran
Dentre os maiores problemas enfrentados pela Ciatran para garantir a segurança das ruas rio-branquenses, os ‘rachas’ figuram entre os maiores, atrás da embriaguez ao volante, dirigir em alta velocidade, desrespeito ao CTB e a imprudência. Conforme o capitão Edener Franco, estas corridas ilícitas, apesar de esporádicas, são preocupantes porque em quase 90% das situações envolve vítimas fatais. “É uma coisa que você vê uma vez ou outra, mas quando acontece é geralmente um acidente de proporções graves e que culmina na morte do condutor e até mesmo de outras pessoas”, completou.

 

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