Aleac retorna ao trabalho parlamentar em clima de eleição

Edvaldo22
Com o reinício das sessões nesta semana, existe uma perspectiva natural da Aleac ser um termômetro do clima eleitoral. Os debates deverão refletir os principais temas do pleito. O presidente, deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB), garante que tentará manter uma agenda de produção parlamentar descontaminada das campanhas eleitorais. Mas admite que em alguns momentos a tarefa será difícil. Magalhães quer uma atividade intensa da Casa Parlamentar acreana no primeiro semestre para garantir as votações mais importantes. 

A GAZETA – Deputado, este é o seu quarto ano a frente da Aleac como presidente. Quais serão as ações que o senhor pretende realizar para concluir o seu projeto administrativo parlamentar a nível estadual?

Magalhães – No quarto ano é preciso consolidar procedimentos. O momento não é de inventar nada, mas de afirmar princípios que nortea-ram a agenda nestes três anos, ou seja: afirmar o parlamento como espaço de intenso debate político, mediador dos conflitos surgidos no cotidiano das comunidades e que se dispõe a estar próximo das pessoas e, portanto, de seus problemas. Uma Casa que não se fecha, mas que adota ini-ciativas como a busca da integração que descortina novos caminhos e possibilidades para o nosso desenvolvimento.

A GAZETA – Projetos como a Assembléia Aberta e os Encontros de Legisladores mudaram a relação da Aleac, sobretudo, com o interior do Estado. Esses projetos terão continuidade em 2010?

Magalhães – Manteremos os programas. Vamos apenas cuidar para que os mesmos não sejam contaminados pela agenda eleitoral que tende a transformar tudo em disputa política.

A GAZETA – Apesar de ser um ano eleitoral a Aleac pretende continuar o seu trabalho de aproximação direta com as populações mais isoladas do Acre?

Magalhães – Nossa presença em todas as regionais e nosso deslocamento para os municípios isolados criou um volume enorme de demandas que precisam de cuidados e busca de vazão. Nesse sentido queremos gastar energias neste ano no encaminhamento do que foi proposto, para dar respostas às expectativas criadas nas comunidades quando da nossa presença. O momento é de pontuar e encaminhar concretamente as questões.

A GAZETA – O que a população acreana poderá esperar em 2010 em relação à atuação dos nossos parlamentares estaduais?

Magalhães – Compromisso de funcionamento no meio da disputa eleitoral. Não vamos deixar de deliberar por conta das eleições. É possível conciliar campanha com regularidade nas votações. Somos um Estado pequeno que facilita o encontro. Vamos ter um calendário espe-cial de deliberações no período mais intenso da campanha para garantir o fluxo deliberativo.

A GAZETA  – Tendo em vista que estamos num ano eleitoral e a grande maioria dos deputados estaduais são candidatos à reeleição e a outros cargos isso pode acarretar numa diminuição da produção parlamentar?

Magalhães – Sem dúvida que a atenção vai se concentrando na eleição na medida que o calendário eleitoral for avançando. Mas é bom lembrar que a fase intensa da campanha acorrerá no segundo semestre. Portanto, é preciso aproveitar bem o primeiro semestre para avançar nas votações.

A GAZETA  – Como presidente da Aleac como o senhor pretende conduzir os trabalhos da mesa diretora já que há uma tendência dos debates no plenário enveredarem para a questão eleitoral?

Magalhães – É natural que no calor da disputa eleitoral a temperatura do debate se eleve. Meu papel como condutor do debate no plenário é evitar a contaminação. É possível ser duro, sem ser chulo. Ser incisivo sem rebaixar o nível da discussão. Só não vale tolher a discussão. O parlamento é o espaço de manifestação do contraditório.

A GAZETA  – O seu nome tem sido debatido para uma das vagas da Frente Popular ao Senado. O senhor pretende lutar realmente pela indicação?

Magalhães – A Frente Popular irá conduzir com sapiência e serenidade esse debate. Temos maturidade e experiência acumulada para construir um processo com amplo debate interno e com a busca da construção do chamado “consenso progressivo”. Chegaremos politicamente unificados quando da definição da chapa majoritária, disso tenho absoluta certeza. Os nomes postos têm legitimidade e, portanto, serão todos avaliados. Não se terá candidato majoritário sem a querência de muitos. Portanto, o desejo individual ou partidário, por si, não é suficiente. É preciso que muitos queiram. Está aí beleza da necessária da construção coletiva.

A GAZETA  – Qual será a sua principal plataforma como candidato ao Senado? A estrada entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa entrará no debate eleitoral?

Magalhães – Não há candidatura, portanto, não há plataforma.

A GAZETA  – Caso a FPA não indique o seu nome ao Senado, o senhor pleitearia a reeleição estadual ou iria para federal ou reivindicaria o cargo de vice?

Magalhães – Sempre fui cumpridor de tarefas. A Frente contará comigo para jogar em qualquer posição. Se for preciso ser roupeiro, assim colaborarei. Não tenho projeto pessoal.

A GAZETA  – O PCdoB pretende mudar a política de indicação de candidatos para as eleições de 2010. Quais são as principais mudanças?

Magalhães – Estamos construindo a possibilidade de termos chapa própria na disputa de deputado estadual. É uma importante mudança que estamos operando na nossa tática eleitoral. Essa alteração é fruto do crescimento e do enraizamento do partido em todo Estado. Exigência da nova realidade política. Será uma construção interessante. Muda toda a lógica da disputa que estávamos acostumados a fazer e abre novas possibilidades para um leque maior de lideranças.

A GAZETA  –    Recentemente o senhor fez uma viagem de férias por vários países latinos americanos. A questão da integração do Acre com os seus vizinhos Peru e Bolívia continuará na pauta da Aleac?

Magalhães – Esse é um caminho sem volta. Estamos a cada ano nos descobrindo mais como vizinhos. Esse novo olhar abre um mundo de possibilidades na área do encontro de saberes, das perspectivas de novas relações sociais e de oportunidades de negócios. Precisamos pensar como homens e mulheres do mundo com uma identidade latino-americana. O Acre é um estado geograficamente bem posicionado e precisa tirar todo o proveito disso a favor do seu desenvolvimento social, econômico e cultural.

 

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