Binho garante sinal livre de internet com o “Floresta Digital”

AAABINHO
Durante entrevista no quadro Boca no Microfone, na GAZETA 93,3 FM, o governador Binho Marques (PT) fez uma avaliação das mais recentes ações do seu governo. Ele também respondeu a várias perguntas e solicitações dos ouvintes. O principal assunto foi a implantação do programa ProAcre de inclusão so-cial. Binho revelou que o investimento previsto será de 150 milhões de dólares nas áreas de saúde, educação e produção. O governador também mostrou a importância do Floresta Digital, um programa que vai garantir o sinal livre de internet em todo o Estado. Binho justificou os empréstimos que o Acre vem con-traindo para aplicar na infra-estrutura do Estado como naturais. “O próximo governador vai pegar o Estado saneado financeiramente”, avaliou. Quanto à conclusão da BR- 364, o governador garantiu o término de todas as pontes do percurso entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul. Mas se mostrou ainda esperançoso de inaugurar a pavimentação da estrada em 2010. “Se eu não concluir vai ficar faltando muito pouco para o próximo governador”, explicou.

ProAcre
O piloto já está em implantação em Marechal Thaumaturgo. Binho Marques explicou que o programa vai chegar ao interior do Estado e às áreas periféricas das cidades acreanas. “O ProAcre é dedicado aqueles que mais necessitam. O Governo tem como objetivo chegar mais perto das comunidades. Estamos fazendo um refinamento do trabalho deixado pelo ex-governador Jorge Viana (PT) para tornar as comunidades mais fortes. E não tem como as comunidades serem mais fortes sem a garantia de acesso à saúde, à educação e à produção. Nós queremos que aquilo que é direito da população e que está disponível nas cidades também tenha no interior do Estado. Nós estamos levando aquilo que é básico e não pode faltar para ninguém. A gente começou pelo município mais distante que é Marechal Thaumaturgo. Nesses dois meses estamos aperfeiçoando o programa no Alto Juruá e depois vamos levar para os outros municípios”, afirmou.

As áreas periféricas das cidades acreanas também receberão investimentos do ProAcre. “Vamos trabalhar primeiramente com as áreas de Zona de Atendimento Prioritário (ZAPs). Com prioridade máxima para a saúde da mulher e da criança que terão o cartão Plano Vida que dará acesso a todos os serviços. Na Capital as populações mais pobres ficam nos fundos dos vales. Antigos igarapés que viraram esgoto. Às vezes, se pensa que Rio Branco é uma cidade sem problemas, mas nós temos muitas ruas que não tem como entrar. Foram muitos anos de atraso antes do prefeito Angelim (PT). As pes-soas não têm acesso físico e também aos serviços básicos de educação, policiamento e, esses locais, acabam virando gueto de marginalidade. A gente quer acabar com isso aos poucos. Vamos transformar essas áreas, nas cinco ZAPs, em mini parques da Maternidade. As famílias que estavam em áreas alagadas estarão recebendo nova casa junto com drenagem e saneamento básico, ciclovia, parque e campo de futebol. Temos mais áreas que necessitam da intervenção governamental, mas priorizamos as cinco ZAPs”, explicou.

Relação com as prefeituras no ProAcre
Quanto a relação com os prefeitos de oposição na implantação do ProAcre, Binho, salientou que, por enquanto, não tem tido problemas. “No caso de Thaumaturgo estamos trabalhando bem. O prefeito Randson (PMDB) tem sido um grande parceiro na contratação de pessoal. O trabalho de saúde é compartilhado colocamos os médicos e enfermeiros e a prefeitura entra com os agentes de saúde. Se não tiver interação com a prefeitura o serviço não rende. Independente de sermos de diferentes partidos temos que priorizar a população”, ressaltou.

Quanto a Cruzeiro do Sul, segundo maior município do Acre, Binho, admite ter alguns problemas que acredita serem superados com o tempo. “As relações em Cruzeiro são sempre mais acirradas. O Wagner Sales (PMDB) é um político experiente e tradicional e isso, às vezes, cria uma certa dificuldade. Ele ainda não entendeu que estamos realizando uma política de Estado e não de governo do meu partido. Nas assinaturas de alguns protocolos tivemos dificuldades com alguns secretários, mas com o tempo isso passa. Numa política de Estado não se pode pensar só no tempo da gestão. Não posso pensar no governo que vai acabar em dezembro. Mas tenho que pensar nos próximos gestores. Antes aquilo que iria gerar muitos gastos e só iria colher os frutos no governo seguinte não se fazia. Mas não penso assim. Muitas coisas que estou fazendo agora só vai aparecer nos próximos governos. As crianças que estão entrando numa escola de melhor qualidade só vão apresentar os resultado daqui a 10 anos”, garantiu.

Inspiração do ProAcre
A idéia inicial do ProAcre surgiu quando Binho Marques ainda era militantes dos movimentos sociais. “Esse é o projeto que eu fazia com o Chico Mendes. Nos anos 80, em Xapuri, não tinha escola, não tinha saúde e não tinha ajuda à produção. Trabalhávamos com recursos de doações. Com 17 mil dólares mantínhamos 12 escolas que depois se transformaram em 40, 22 postos de saúde e uma cooperativa. Mas contávamos com voluntários e mutirão. Esse mesmo programa que fazíamos com 17 mil dólares, em Xapuri, faremos com 150 milhões de dólares em todo Estado. Quando já aprendemos é mais fácil, não tem mais o que testar. Nós estamos investindo na implantação do programa, mas a gestão tem que ser natural através de outros fundos. É um trabalho feito com muito cuidado. O custo vai caindo até ele ficar com os recursos que tem na prefeitura e no Estado”, explicou.

Previsão de produção e geração de renda   
O ProAcre prevê investimento para que as famílias do interior possam melhorar a qualidade de vida através da produção. “A gente conseguiu que 40 famílias entrassem num programa de melhoria da produção distribuindo kits e treinamento. Incentivamos a segurança alimentar através da plantação dos roçados, a criação de animais domésticos, distribuição de mucuna, que é uma semente que recupera as áreas degradadas sem precisar usar o fogo. Isso tudo já está acontecendo. E distribuímos kits para a produção de uma borracha puríssima e garantimos a compra da produção. Através de um programa de compra do Estado adquirimos uma série de produtos dos agricultores para a merenda escolar”, afirmou.

Modelo econômico
Defensor do modelo econômico sustentável acreano, o governador, ressaltou que a produção do Estado poderá ter acesso a um mercado consumidor para produtos diferenciados. “Todo o produto que tem o selo verde no mercado internacional tem mais valor. As pessoas estão muito mais conscientes e preocupadas. Imagine quem mora na Holanda e sabe que o país pode desaparecer se o descontrole ambiental continuar. Muitos países vão sumir se subir dois graus na temperatura do planeta e nenhuma medida for tomada até 2050. Essas pessoas já mudaram radicalmente o consumo e só compram aquilo que tem o selo verde. A palavra Acre já é uma marca de sustentabilidade. Em Copenhague, quando as pessoas falavam Acre já pensavam num modelo econômico diferente. Agora mesmo nós estamos numa das maiores cadeias de lojas do Brasil, a C&C, com os nossos móveis. O selo verde é uma marca. O que mais vi em Copenhague é a venda do serviço ambiental. A floresta do Acre presta um serviço a toda a humanidade.

Graças a isso agente ajuda equilibrar o clima do planeta, a água, a biodiversidade e a diversidade cultural. Além de que esse conhecimento pode gerar biotecnologia. Se a floresta do Acre presta um serviço a humanidade é preciso pagar por esse serviço. Nós apresentamos um plano para isso em Copenhague. Estamos prometendo defender áreas de floresta desde que haja um pagamento para isso. Essas áreas podem gerar títulos verdes nas bolsas de valores. Isso pode fazer com que chegue no Acre muito dinheiro. Nós já vamos receber em março um investidor de Chicago que quer investir no nosso plano. Nesse mercado o Acre está na frente. O nosso objetivo é transformar esses recursos em melhoria de vida para a população”, salientou.    

Inclusão digital do Acre
Todo o Estado terá até o final do ano internet livre. O Acre será o primeiro estado brasileiro a ter 100% de cobertura de sinal livre do Brasil. “O projeto Floresta Digital vai ser um sonho. Internet no exterior é muito cara. E o Acre vai ter internet livre. Começamos por Rio Branco que terá o sinal livre até última semana de janeiro. Até o final do nosso governo estará em todos os municípios. Será possível o acesso através de laptops e celulares. Nos locais públicos como praças, escolas e hospitais o acesso será direto depois de um cadastramento na Biblioteca. Para se ter em casa basta comprar uma pequena antena que vai custar cerca de R$ 200. Depois não vai nunca mais pagar internet que será de alta qualidade. Pegamos um banda inteira de alta velocidade para esse projeto da Floresta Digital. Isso vai dar um salto na educação e na cultura. As pessoas vão pode fazer um curso superior à distância. Mas estamos preocupados com as pessoas que não tem dinheiro para comprarem um computador. Por isso, teremos espécies de lan houses públicas. Já temos algumas, mas vamos ampliar ainda mais. Para os jovens que estão no último ano do ensino médio nós vamos dar um computador para cada aluno. Os primeiros serão de Rio Branco e conforme vai sendo instalada a internet livre nos município os alunos irão recebendo”, finalizou.

Política
Parece que a política não é definitivamente a preocupação de Binho Marques que está empenhado em terminar em alta o seu governo. Quanto ao seu futuro político numa indagação velada se poderia ser o próximo prefeito de Rio Branco, Binho Marques, preferiu levar a pergunta na brincadeira: “é claro que em 2013 a Capital vai ter um novo prefeito. Mas espero que seja um bem novo mesmo”, falou referindo-se ao fato de que na ocasião das eleições terá quase 50 anos de idade. 

 

Assuntos desta notícia


Join the Conversation