Passeata na paulista

Quando cheguei a Avenida Paulista estava parcialmente tomada pela multidão de educadores guerreiros que não se calam e não aceitam os desmandos do governo Serra. Alguns minutos depois toda a Avenida Paulista estava tomada, totalmente fechada e repleta de docentes! Mais uma vez paramos o centro financeiro de São Paulo para protestar o que estamos sofrendo nas escolas públicas paulista.

Além de ocupar toda a Paulista, o vão livre do MASP estava todo preenchido de guerreiros e grandes educadores que não se curvam diante as ameaças dos diretores, supervisores e de toda a Diretoria de Ensino que está do lado do governo e contra a classe.

Saímos em passeata pela grande avenida, recebendo o apoio da população paulista que nos aplaudiam e demonstravam apoio ao nosso movimento. O espaço aéreo da grande avenida foi fechado para as redes de televisão não mostrar toda aquela multidão que manifestavam por direitos justos e por uma educação de qualidade, apenas o helicóptero da polícia militar sobrevoava a região.

Aos gritos de “A greve continua! Serra, a culpa é sua!” seguimos rumo à Rua Consolação, com destino à Praça da República, a praça da educação pública paulista! Uma multidão que entoavam gritos de respeito e dignidade pelo magistério paulista! Tomamos conta da Consolação e a Paulista ainda continuava repleta de professores e mesmo assim as grandes redes de televisão noticiava que éramos apenas 8 mil! Poucos docentes não iriam fechar o centro financeiro de São Paulo e estender por toda a Consolação, já entendemos que o governo compra a mídia e faz dela o que bem quer! A Rede Globo se esquiva e se abstém da realidade, não informa a população sobre a grande massa que dominava o centro paulistano.

Quando chegamos no final da Consolação, um momento lindo, inesquecível a todos que estavam presentes neste movimento pacífico, em defesa da qualidade na educação e pelo reconhecimento do professor. Os mais de 60 mil educadores entoaram o hino nacional brasileiro, um coro que o governo não cala e não compra com a política vergonhosa e miserável do bônus.

 Cantamos o nosso hino e demonstramos mais uma vez o nosso compromisso com a nação e com a dignidade da nossa profissão. Jamais nos curvaremos a um governo ditador, que se recusa a negociar com o funcionalismo, um governo que compra a mídia e a faz divulgar apenas o que lhe convém. Não é amordaçando os meios de comunicação que este governo vai conseguir vitória, ele já está reprovado por todas as mazelas que vem fazendo em São Paulo.

“Aos inconformados, aos que ousam contestar, desafiar ou até enfrentar a autoridade estabelecida; aos revolucionários; aos que se põem no rumo do além dos preconceitos e do ‘natural das coisas’, é a estes que a humanidade deve o seu progredir.

Os que destas lutas fazem o seu dia-a-dia é que são imprescindíveis.

Os que, além disto, sabem dos inúmeros pequenos passos e tropeços de que se fazem os caminhos – e não se rendem – são ainda melhores “. (autor desconhecido).

Sou professor e não vou me calar diante as ameaças, estou na greve e vou até o fim!

Profº Giomário Nunes Torres

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