O mito tietado

A opinião de hoje é de autoria do jovem  professor Lindolfo Charles Monteiro,  graduado em Filosofia e pós-graduado (lato sensu) Espe-cialização em Epistemologia e Filosofia  das Ciências Humanas, pela Universidade Federal do Pará-UFPA. Vale a pena conferir!

Temos a melhor universidade da América Latina e 20ª do mundo: USP, que juntamente com outras usinas acadêmicas, tornam o Brasil um celeiro infindável de empreendedores brilhantes. Contudo, uma questão se põe com a seguinte incógnita: porque dentre inumeráveis mentes preparadíssimas para os negócios no país, com capital inicial igual ou senão maior, justamente Eike Batista se torna esse midas adorado? A mística que construíram em torno da figura do empresário, faz pensar que se trata do gênio-mor com capacidade de gestão única.

Como tudo no show business é avaliado pelos resultados conquistados, tal aura tem certa propriedade. Porém o mito tietado e comparado ao Barão de Mauá: leitura obrigatória em cursos de economia tem de ser analisado por lupa mais abrangente, superando a frigidez dos resultados. Então vejamos: os índices demonstram que o Brasil nos últimos 15 anos tem se consolidado como o emergente mais viável para o empreendedorismo. Com o Tio Sam em crise, Europa no caos e China em desaceleração, o Brasil vira refúgio dos investimentos da elite empresarial mundial. Com a bitola de sua própria meritocracia, investiguemos onde se encastela o impublicável mérito do bilionário nessa teia de interesses. O Brasil, exercitando sua vocação social, se põe a atrair e fomentar investimentos, sobretudo, internacionais que possam trazer, fundamentalmente, benefícios sociais.

O capital multinacional, por sua vez, dian-te das crises e da própria ambição peculiar, anseia migrar para o país, mas teme o gargalo de eventuais ônus sociais. Brota então um dilema: como garimpar no Brasil promissor cabeças-de-ponte que não estejam, por formação, ético-moralmente comprometidos com a onda social democrata, seguida pelo tsunami democrático-popular com todos os seus programas de erradicação da pobreza a serem implementados?  Com perspicácia, a nata econômica do planeta consegue pinçar, numa família capitalista tradicional ainda atrelada às maiores instâncias do poder, detentora da Companhia Vale um jovem com o perfil ideal, que logo mostra a que veio.

Não se alinhou sequer com o propalado filantrocapitalis-mo, através do qual, grandes marcas empreendem assistência social como, por exemplo, cursos para capacitar até gestores públicos, desde que posteriormente obtenham retorno condizente. Ele entrega, em entrevista, que sua filantropia é tão somente gerar empregos; dito assim, todos os empresários do mundo são filantropos por excelência, e Santa Catarina paga um micão ao propor um fundo de combate à miséria, pois, há milhares de empregos sobrando, não há injustiças sociais! Em suma, 10 % dos investimentos de Eike derivam do BNDES, conforme ele revela, queixando-se que teve de provar que traria algum retorno social; outro grande percentual se deve a incentivos fiscais, infraestrutura maciça para o setor, baixo custo da mão-de-obra brasileira, e similares; mas a maior porcentagem é por conta dos capitais estrangeiros e alguns nacionais. Sobra muito pouco para o mérito do próprio pop star da economia; a não ser suas habilidades excepcionais em driblar considerados prejuízos decorrentes de transferência de renda ou justiça social, e em subir os degraus da fama midiática: primeiro com o pai Eliezer Batista, ícone da mineração, depois com Luma de Oliveira musa da  Globo e do carnaval e, atualmente, o pop só falta dar entrevista no show de Shaiene com y. O temor é que, assim explicitado um X da questão Eike, a gurizada na ânsia de enriquecimento, queira imitá-lo, sem notar que o capital especulativo é volátil: migra constantemente conforme a geoeconomia lhe seja rentável; deixando para traz a degradação socioambiental.

*E-mail: [email protected] com.br

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