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Luísa Lessa
Luísa Galvão Lessa Karlberg é pós-doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montréal, Canadá; doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); membro da Academia Brasileira de Filologia; presidente da Academia Acreana de Letras; membro perene da IWA. Email: [email protected]

O uso da língua portuguesa no mundo

A Língua Portuguesa é um dos  idiomas mais falados no mundo. São 244 milhões de falantes, uma estatística que coloca o português como a sexta língua mais falada do globo, a quinta mais usada na Internet e a terceira mais presente nas redes sociais como Facebook e Twitter. No Facebook o português ocupa o terceiro lugar como idioma mais usado (58,5 milhões de utilizadores). Em primeiro  lugar está o inglês (359 milhões); segundo lugar o espanhol (142 milhões). No Twitter, o português é a terceira língua mais usada, representando 12% do total de tweets enviados, a seguir ao inglês (39%) e ao japonês (14%).

Todos estes números tenderão, no entanto, a mudar, à medida que muda o mapa do português no mundo. Segundo estimativas do Governo português, tendo em conta a evolução demográfica, até 2050 o número de pessoas no mundo a falar a língua de Camões deverá atingir a cifra de 350 milhões.



Esses dados são do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e foram transmitidas à Lusa, por ocasião da II Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa no Sistema Mundial, ocorrida em Lisboa. Também podem ser localizados no site do Observatório da Língua Portuguesa, que reúne diversas fontes para construir as suas estatísticas. Ali o site aponta para 244,392 milhões de falantes de português em todo o mundo. Este observatório coloca o português como a quarta língua mais falada do mundo, atrás do mandarim, do espanhol e do inglês.

Falado em cinco continentes, o português é a língua oficial de oito países: Angola (19,8 milhões de habitantes), Brasil (194,9 milhões), Cabo Verde (496 mil), Guiné-Bissau (1,5 milhões), Moçambique (23,3 milhões), Angola (217 milhões), Portugal (10,6 milhões), São Tomé e Príncipe (165 mil) e Timor-Leste (1,1 milhões). Contudo, só nos casos de Portugal e do Brasil é contabilizada toda a população como falante de português.

De outra parte, deve-se contabilizar, também, as diásporas que, todas juntas, ascendem a quase 10 milhões de falantes de português, incluindo os 4,8 milhões de emigrantes portugueses e três milhões de brasileiros. A língua portuguesa é ainda falada em locais por onde os portugueses passaram ao longo da História como Macau, Goa (Índia) e Malaca (Malásia).

Na Internet, segundo o site Internet World Stat, o número de utilizadores da Língua Portuguesa aumentou 990% entre 2000 e 2011, mas naqueles anos ainda só representava 3,9% do total de cibernautas e 32,5% do total de falantes de português no mundo, o que permite antever que ainda tenha muito por onde aumentar. Estamos em 2014.

Os cursos de Língua Portuguesa, nas universidades e outras instituições no mundo tende a elevar o número de falantes. O Mercosul, cujo tratado foi assinado em 1991, fortaleceu o ensino de língua portuguesa na América Latina e, também, serviu de modelo aos programas oferecidos em várias universidades nos Estados Unidos da América e em vários países da Europa. O leitor interessado pode consultar os sites das universidades de Yale, Princeton, Cornell, Georgetown (EUA), Oxford e Cambridge (Inglaterra), Estocolmo (Suécia), Aarhus (Dinamarca), Oslo (Noruega).

Como o idioma português ultrapassa as fronteiras dos países lusófonos e ocupa, hoje, espaço transnacional, o mercado de ensino do português é extenso e diversificado, engloba desde material didático à formação de professores. É fundamental, portanto, cuidar dessas duas frentes: criar material adequado às aulas e ampliar os poucos cursos de formação de professores na pós-graduação.

Em termos de instrumentalização da língua, deve-se pensar na formulação de gramáticas, dicionários, livros didáticos, currículos, programas de ensino, textos científicos, periódicos etc., específicos para a língua portuguesa, para falantes de outros idiomas.

Por tudo isso as Universidades devem cuidar da formação de professores de português para estudantes que o tenham como segunda língua, que deve ter início na graduação, com disciplinas que conduzam a reflexão dos alunos nesse tema. Isso requer um reajuste dos cursos de Letras, que precisam preparar os futuros profissionais para a demanda atual do mundo lusófono.

Por sua vez, os gestores de Universidades e outros centros educacionais devem investir na estrutura, de forma a prover as salas de aula com equipamentos indispensáveis ao ensino de qualquer língua estrangeira: televisores, aparelhos de vídeo, laboratórios de língua, computadores conectados na internet. Sem aprimorar o capital estrutural, que em muitas escolas se restringe a lousa e giz, caminha-se na contramão da modernidade e não se consegue usufruir dos recursos tecnológicos disponíveis. O ensino de qualidade depende também da implantação de melhores práticas de gestão no ensino. O Brasil precisa avançar muito nessa área, em particular na formação de recursos humanos.

DICAS DE GRAMÁTICA
FAZ DEZ ANOS QUE NÃO O VEJO ou FAZEM DEZ ANOS QUE NÃO O VEJO?
– Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz dez anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.

* Luísa Galvão Lessa Karlberg IWA– É  Pós-Doutora em Lexicologia e Lexicografia pela Université de Montréal, Canadá; Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ; Mestra em Língua Portuguesa pela Universidade Federal Fluminense – UFF; Membro da Academia Brasileira de Filologia; Membro da Academia Acreana de Letras; Membro perene da International Writers end Artists Association – IWA; Coordenadora da Pós-Graduação em Língua Portuguesa – Campus Floresta; Pesquisadora DCR do CNPq.

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