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Geoglifos do Acre ganham as páginas de publicações mundiais

Os enormes desenhos geométricos localizados na divisa do Acre com o Amazonas, conhecidos como geoglifos, a cada dia ganham mais espaço nas páginas das publicações especializadas em ciência e história. Reportagem do jornal da SBPC (So-ciedade Brasileira para o Progresso da Ciência) da semana passada tem como título: “Acre teve sociedade indígena complexa”.

“Estranhos e gigantescos padrões geométricos no solo desmatado do Estado estão dando novo peso à hipótese de que a Amazônia antes de Cabral estava repleta de sociedades complexas, com grande densidade demográfica”, diz um trecho da matéria. Segundo a análise, os geoglifos podem ter servido como fortalezas e trincheiras para as antigas civilizações amazônicas.

As reportagens que estampam as publicações especializadas são produzidas a partir do artigo escrito em conjunto por Alceu Ranzi, da Ufac (Universidade Federal do Acre),  Denise Schaan, da UFPA (Universidade Federal do Pará) e Martti Pärssinen, do Instituto Ibero-americano da Finlândia. O artigo foi publicado pela revista inglesa “Antiquity”, e logo ganhou os quatro cantos do mundo.

Para o diário britânico “The Guardian”, os geoglifos representam a existência do Eldorado, a lendária cidade feita de ouro contada pelos índios aos colonizadores europeus recém-chegados à América. Os desenhos geométricos na Amazônia acrea-na também foram destaques na versão americana da conceituada revista National Geographic.
Na reportagem, a revista afirma que um dos mistérios sobre os geoglifos é saber quem os construiu e com qual objetivo. Além de estratégia militar, as formas podem ter sido usadas como forma de expressão religiosa, ou o próprio lar das civilizações. Em seu portal na internet, a rede de televisão americana “Fox News” dá destaque ao pesquisador da Ufac Alceu Ranzi.

“Ranzi explicou que é muito difícil localizar os geo-glifos por terra. O advento do Google Earth e pontos de acesso por satélite têm facilitado essas buscas”, diz trecho da matéria. A “New Scientist”, a mais importante revista cien-tífica do mundo, descreve os geoglifos. Com um ou dois metros de profundidade e de 90 a 300 metros de diâmetro, os desenhos podem ter sido feitos dois mil anos atrás.

No Brasil, o jornal “O Estado de S. Paulo”, assim como o “The Guardian”, faz referência a Eldorado. “Será que o Google Earth descobriu ‘Eldorado’?”, indaga o diário. Logo no começo, a matéria lembra que os geoglifos acreanos lembram as gigantescas linhas de Nazca, no Peru.