Igarapés transbordam e ameaçam casas em mais de 5 locais da Capital

Os transbordamentos dos igarapés Batista e São Francisco estão ameaçando as casas de várias famílias (estimativa de mais de 500: 2.000 pessoas) de Rio Branco. Os dois cursores d’água estão cheios desde as chuvas com alto volume da última quinta (25) e sexta-feira (26) e até ontem (29) ainda não demonstravam sinais de que voltariam à normalidade.
Igarapes
Com isso, famílias dos bairros da Paz, Calafate, Conquista, Parque dos Palmares, Geraldo Fleming e mais duas áreas próximas continuam com os quintais de suas casas cobertas pela água, enquanto outras mais de 15 já assistiram seus lares serem invadidoas e tiveram de se mudar.

Segundo Donato Gomes de Souza, 78 anos, dos quais mais 25 foram vividos no Bairro da Paz, quase todo o ‘inverno’ a água sobe e alcança os lares da área. Isso faz com que os residentes sintam muito medo de que suas moradias sejam tragadas pelo igarapé ou cedam ao enfraquecimento do solo do local e desabem de vez.

“Estamos assustados. A água entrou na minha casa e ali na da minha filha e dos meus netos. Ficamos com muito medo de sermos obrigados a sair daqui no domingo, porque não tínhamos para aonde ir. Mas graças a Deus a água desceu um pouco. Só que continua chovendo muito e daí ele pode voltar a subir de novo”, disse. 

Mas o pior não está nas mudanças e sim nos riscos à saúde destes habitantes. De acordo com Rêmulo Williams, 20, também do Bairro da Paz, são muitas crianças que se sujeitam a doenças (leptospirose, hepatite A, micoses e verminoses) ao tomar banho no referido igarapé, que definitivamente não pode ser chamado de modelo de ‘água cristalina’. E a situação poderia ser mais suja, se a Semeia (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) não tivesse feito uma limpeza em maio do ano passado e retirado mais de 15 toneladas de lixo e entulhos do principal manancial do São Francisco.  

Contudo, não é só de doenças hídricas que estas pessoas estão ameaçadas. Conforme o rapaz de 20 anos, há um inimigo tão perigoso quanto as moléstias: os animais do igarapé. E olha que lá há um realmente temido: “por aqui ronda uma sucuri enorme. Ela deve ter uns 4 ou 5 m de comprimento. Neste sábado, eu e os meus amigos estávamos trafegando por aqui (com canoas) e de repente vimos ela de longe. É uma cobra realmente assustadora. E por aqui ainda nadam outras de várias espécies”, relata. 

 

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