Agentes administrativos da PF param por 24h e denunciam policiais fora de funções

Os agentes administrativos da Policia Federal (PF) fizeram uma paralisação de 24h por todo o Brasil, para cobrar do Governo Federal melhorias salariais, reestruturação de carreira e, sobretudo, a contratação de mais efetivos para escritório (sem concurso desde 2004). Os administradores denunciaram que tal carência, além de gerar uma grande sobrecarga/ acúmulo de afazeres, está provocando o desvio de função dos policiais federais ‘do campo’ para atender a demanda deste serviço interno.

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Para se ter uma idéia, de todos os agentes da PF, somente 19% compõe o quadro administrativo. No Acre, esta representatividade é um pouco maior, com cerca de 25%, mas não deixa de ser desprovida: de 220 agentes federais, apenas 55 são de escritório. Em alguns municípios acreanos, a PF funciona com menos de 3 servidores internos. Teoricamente, em Epitaciolândia só há 1 agente, enquanto em Cruzeiro não há nenhum. 

Conforme Margarete Vanelli, presidenta do Sinpecf/AC (Sindicato dos Servidores do Plano Especial de Cargos da PF do Acre), o Ministério do Planejamento tem total conhecimento da situação, tanto que desde 2007 a União promete fazer novos concursos e reestruturar as carreiras dos servidores administrativos.

“Só que as palavras não passam de promessas. A categoria tenta negociar, mas a União está enrolando há anos. Isso faz funcionários internos ficarem sobrecarregados e tenham até problemas de Saúde. Muitos reclamam de stress, cansaço, hipertensão e outros problemas psicossomáticos. E o mais absurdo é que, como cidadãos, temos o dever de denunciar que a PF está mandando agentes de campo fazer serviços internos ao invés de prender bandidos e traficantes. A criminalidade cresce a cada dia, por isso, não podemos nos dar ao luxo de ter policiais fora de função”, desabafou.

Outra preocupação dos trabalhadores foi com a licitação do Governo Federal para retirar os serviços terceirizados desta função e colocar apenas concursados. “Primeiro, ficamos preocupados com a terceirização, mas aí vimos que estes trabalhadores vieram para ajudar. Só que aí eles tiraram este serviço também e as coisas só pioraram, já que o número de efetivos está diminuindo, enquanto a demanda de serviço só aumenta. A nossa situação fica cada vez mais difícil e sobrecarregada”, completou Margarete. 

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Margarete Vanelli, presidenta do Sinpec/AC 

Foto/Sabrina Soares

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