Após feriadão, Aleac debate visita de Dirceu e plantação de maconha em Resex

A visita do ex-deputado federal José Dirceu (PT), e ministro da Casa Civil no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda repercute nos bastidores políticos do Estado. Cassado pela Câmara dos Deputados por ter sido acusado de liderar o esquema de pagamento de propina a parlamentares, Dirceu veio ao Acre no último dia 25 a convite do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores.

Depois do feriado da Semana Santa, os deputados esta-duais voltaram ontem aos trabalhos tendo como centro dos debates justamente a visita de Dirceu. Para o líder do Democratas (DEM) na Aleac (Assembléia Legislativa do Acre), deputado Nogueira Lima, “o povo acreano não merecia receber a visita de um político com a biografia de Dirceu”.

Sobre o envolvimento de seu partido no escândalo que ficou conhecido por “mensalão do DEM”, com a distribuição de propinas entre membros do governo do Distrito Federal, Lima afirma que a executiva expulsou todos os envolvidos no esquema. “O Arruda está preso, e essa deve ser a punição aplicada aos corruptos, a cadeia”, ressaltou o parlamentar, numa referência à prisão do ex-governador do DF, José Roberto Arruda.

Segundo Lima, o esquema corrupto no Democratas foi lembrado por Dirceu na palestra realizada para a militância petista em Rio Branco. Para o parlamentar, o ex-ministro não possui nenhuma moral ética para falar sobre o assunto, já que ele é o réu principal no processo do mensalão petista no STF (Supremo Tribunal Federal). “Nós não temos mensaleiros em nosso partido, todos foram expulsos, agora o PT traz ao Acre o maior mensaleiro do país”.

Com a bancada do PT ausente na sessão de ontem, não houve nenhum petista para defender José Dirceu. A GAZETA procurou o presidente do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores, Leonardo de Brito. De acordo com ele, a citação feita por Dirceu ao “mensalão do DEM” foi apenas uma “nota de rodapé de toda a agenda de compromissos dele no Estado”.

Brito afirma que o escândalo que envolve o Democratas é uma forma usada por Dirceu para retrucar os ataques morais que sofre nos últimos anos por ter seu nome relacionado ao mensalão. O presidente do partido diz acreditar na inocência do ilustre militante. “O Supremo Tribunal Federal irá absolver Dirceu já que não existem provas jurídicas suficientes para condená-lo”, diz ele.

Quanto à punição aos acusados, Brito afirma que o PT solicitou a desfiliação do então tesoureiro Delúbio Soares e do secretário-geral Silvio Pereira. “O mínimo que o DEM teria que fazer diante de imagens explícitas de corrupção era expulsar as pessoas flagradas”.  

Oposição diz que apreensão de droga em Resex é o fracasso da economia florestal
Outro tema que voltou a ganhar atenção na tribuna do plenário foi a apreensão dos mais de 200 quilos de maconha dentro da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, a terceira maior reserva do país. Para a oposição, o caso simbolizaria o fracasso na tentativa do atual governo de implantar uma política econômica que tem como princípio explorar os recursos da floresta com sustentabilidade.

Com críticas mais severas, a deputada Idalina Onofre (PPS) disse que poderia acrescentar a plantação de maconha ao projeto de desenvolvimento sustentável do Estado. “Hoje podemos dizer com tristeza que o desenvolvimento sustentável do Acre é o cultivo de drogas”, diz Idalina. A líder do PPS lembrou as grandes apreensões de entorpecentes dentro do Acre, que a cada dia ficam mais freqüentes.

Idalina ressalta que, com extrativistas que estariam cada vez mais desestimulados com uma economia florestal sem resultados, mais e mais pessoas passem a ter no plantio de maconha uma fonte de sobrevivência. Para o líder do governo na Aleac, deputado Moisés Diniz (PCdoB), não se pode fazer “malandragem” diante de uma discussão tão complexa e importante como o desenvolvimento sustentável.

“Essa atual apreensão é um caso isolado. Não são todas as famílias que estão dentro da reserva que plantam maconha para garantir a sobrevivência”, afirma Diniz. Segundo o deputado, os resultados da atual política econômica serão obtidos gradativamente, com frutos colhidos a longo prazo. (F.P.)      

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