Binho participa de debate no 2º Conselho Nacional de Secretários de Educação

O governador Binho Marques participou ontem da abertura da 2ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Secretários de Educação, em evento que está sendo realizado na Usina de Comunicação e Arte João Donato.
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O 2º Consed 2010 tem como tema a formação de professores. A Companhia de Dança do Colégio Armando Nogueira interpreta os hinos Nacional e Acreano com ritmos diferenciados. Todos os Estados brasileiros estão representados neste Consed, cuja presidente, Yvelise Arco-Verde, afirmou que o Acre é realmente referência em formação de docentes. “O Governo do Estado tem investido muito nessa questão”, disse Yvelise. 

Para o governador, o fortalecimento das instituições, como a Universidade Federal do Acre, foi juntamente com outros esforços de investimentos, fundamental para alcançar melhores índices na capacitação profissional. “O segredo é não ter medo”, disse Binho Marques.

Entre outras autoridades, participam do evento o assessor especial da Presidência da República, Marcio Cruz; a diretora de Educação da Fundação Roberto Marinho, Wilma Guimarães, e Angela Dannemann, da Fundação Victor Civita.

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Binho: “tenho orgulho de ser professor”
Em seu pronunciamento de abertura do 2º Consed, o governador Binho Marques lembrou do difícil e complexo processo para retomar o desenvolvimento do Acre após um duro período de isolamento e abandono. 

“A obra maior do Jorge Viana foi o resgate da autoestima do povo acreano”, disse o governador ao agradecer a presença dos secretários e suas palavras de gentileza em relação ao Acre. Após exibição de um vídeo sobre o Acre, Binho fez menção ao Projeto Seringueiro, que implantou uma rede de quarenta escolas em apenas dois anos nos seringais de Xapuri.

“O Chico Mendes coordenava oito escolas e me convidou para ajudá-lo”, disse Binho Marques.  As escolas eram construídas em mutirão, alguns professores não tinham salário, outros eram ajudados pela Secretaria de Educação. “Quando vi a educação mudando a vida dos povos da floresta, aquilo me tocou muito”, relatou Marques.

Foram apontados como avanços educacionais nos últimos doze anos a construção da carreira de docentes, estabelecidos padrões mínimos para as escolas, repasse de dinheiro diretamente para os conselhos escolares, e a garantia da educação de 1ª série do ensino fundamental ao ensino médio.

“Não existe projeto de desenvolvimento se não tiver educação”
O governador Binho Marques segue sua exposição na abertura do 2º Consed. Ele fala para secretários de Educação e gestores educacionais de todo o País, sempre lembrando os tempos iniciais do projeto de sustentabilildade que gerou a Florestania, reeducou a sociedade levando-a conhecer sua capacidade e impôs um novo conceito na gestão pública com crescimento econômico sustentável.   Para o governador, não existe projeto de desenvolvimento para todos se não tiver educação.

O crescimento da economia não impôs maior desmate – ao contrário. “O Acre teve o sétimo melhor desempenho no PIB entre os Estados e as taxas de desflorestamento são as menores nos últimos vinte anos”, afirmou o governador. De outro lado, a pobreza caiu muito desde 1999, quando Jorge Viana chegou ao Governo do Estado.  Naquele ano, 60% da população estava abaixo da linha da pobreza, hoje esse número, segundo estudos do IBGE, caiu para 38%.

Secretária de Educação do Pernambuco elogia projeto do Floresta Digital
Após encerrar o pronunciamento de abertura, o governador Binho Marques ouviu dos secretários observações e questionamentos acerca das políticas educacionais do Acre e do Brasil. A secretária de Educação do Pernambuco, Aida Monteiro, disse que as palavras do governador são “alento” para a gestão educacional.

“Algo que me chamou a atenção também foi a relação da sociedade política com a sociedade civil”, disse Aida, referindo-se à política de fortalecimento das comunidades e os investimentos na educação, como o programa  Floresta Digital, que leva internet de graça e com qualidade para a população, bastando apenas que o usuário adquira uma antena de cerca de R$ 150 para captação do sinal.

A secretária de Goiás, Milca Severino, lembrou que o Brasil tem uma dívida social de 100 anos com a educação e que os encaminhamentos das políticas, assim como ocorre no Acre, são essenciais para o resgate desse débito. Binho havia se referido ao Floresta Digital como um componente da educação, uma vez que assegura informação e amplia o aprendizado das pessoas.

“Tem de pensar simples para pensar para todos”, avalia Secretário de Educação do RS
A presidente do Conselho de Secretários de Educação, Consed, dirige a mesa de trabalho nesta segunda reunião ordinária na Usina de Arte João Donato. Ela também dirigiu uma pergunta ao governador Binho Marques quanto à relação entre o Governo do Estado com o Governo Federal e os municípios.

“Como se lida a unidade na adversidade?”, questionou Yelise Arco-Verde. “Na relação com os prefeitos não posso tratá-lo de modo igual. Na saúde, por exemplo, o prefeito recebe recurso a mais de acordo com a produtividade”, comparou o governador ao responder essa e outras questões semelhantes.

O secretário de Educação do Rio Grande do Sul se disse especialmente interessado pela valorização da cultura e da realização de grandes feitos através de ações simples. “A gente não pode pensar para todos se não for simples. Se você complicar demais vai sempre trabalhar para poucos”, disse o governador do Acre.

Fundação Victor Civita diz que Acre valoriza docente
A diretora-executiva da Fundação Victor Civita, Angela Dannemann, disse que o Acre alcançou bons índices de satisfação dos alunos do ensino médio público (de acordo com o Conselho Estadual de Educação, 70% dos aprovados no vestibular da Ufac são egressos da escola pública) porque “saiu na frente” em questões fundamentais na política de educação. Angela esteve em Rio Branco participando da 2ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Secretários de Educação.

Ela trouxe para o Estado os resultados do estudo “Atratividade da Carreira Docente”, que mostra números preocupantes quanto ao futuro do magistério. “Descobrimos na pesquisa que apenas 2% dos alunos do Ensino Médio têm a pedagogia ou alguma licenciatura como opção principal no vestibular. Essa é uma situação muito preocupante para o país e a reunião é uma excelente oportunidade para debater a questão”, diz Angela.

É a primeira vez que a Fundação Victor Civita participa de uma reunião do Consed. “Nosso objetivo é aproximar cada vez mais as proposições que desenvolvemos a partir de cada estudo dos formuladores de políticas públicas de educação e levar os resultados do trabalho para todo o Brasil”, afirma. A pesquisa foi realizada em 2009 e entrevistou 1.501 alunos, do terceiro ano, de 18 escolas públicas e privadas do Brasil. De acordo com o levantamento, um terço dos jovens entrevistados pensou em ser professor, mas desistiu. Segundo os estudantes, os motivos que os afastaram da carreira docente são: desvalorização social da profissão, baixa remuneração e uma rotina muito desgastante – o contrário do que ocorre no Acre, onde a carreira é valorizado pelo Governo do Estado, os salários estão entre os três melhores do país e há um ambiente propício para a satisfação no trabalho.

A Fundação Victor Civita foi criada em 1985, como uma das primeiras iniciativas empresa-riais brasileiras no campo so-cial. Desde então sua missão tem sido contribuir para a melhoria da qualidade da Educação Fundamental no Brasil, produzindo publicações, sites, material pedagógico, pesquisas e projetos que auxiliem na capacitação dos professores, gestores e demais responsáveis pelo processo educacional. O detalhamento das pesquisas realizadas pela Fundação Victor Civita pode ser acessado através do link www.fvc.org.br/estudos.  (Agência) Acre

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