Juízos de valor

Por conta dos acontecimentos brutais, notadamente no campo da violência urbana, aquela ideia de que somos moral e espiritualmente melhores do que as gerações que nos precederam cai por terra e  nos faz refletir sobre os valores vigentes da atualidade. Diante dessa desgraça que se repete a cada minuto, segundo estatísticas, não dá para sofismar sobre o problema da raça humana. Não adianta inventar novas soluções paliativas, pois os problemas são os mesmos.  Estamos encurralados. A raça humana vive, desgraçadamente, uma nova modalidade de valores. Sendo assim, de forma recursiva, faço reverberar os valores que vigoram no mundo de hoje.

Diversos pensadores, em longo do tempo, dispensaram extensiva abordagem sobre a “filosofia dos valores” (axiologia). São avaliações morais, éticas e religiosas a respeito das condições da sociedade, dos atos pessoais e coletivos. Esses ajui-zamentos indicam se atos ou condições são “bons”, “maus”, “úteis”, “inúteis”, “legais”, “ilegais”, etc. Nietzsche, concorda com essa linha, ao asseverar que os valores são arquitetados a partir da experiência humana, embora continuem sujeitos ao juízo de “melhor e pior”. Usualmente, diz Nietzsche, esses valores viriam à tona em situação de conflito, de ressentimento e de luta pelo poder, mas seriam capazes de uma transformação criativa.

Alguns desses julgamentos partem, por exemplo, da lei que faz os juízos de valor tornarem-se oficiais e obrigatórios para uma sociedade. As religiões, também, estão envolvidas até o pescoço, nessa questão de fazer juízos de valor; são regras e normas para todo lado, num dogmatismo implacável. Os modernos cientistas sociais são mais cautelosos quanto a emitir juízos de valor a respeito das condições sociais que estudam.

Naturalmente um juízo de valor, com frequência é algo subjetivo, condicionado pela cultura em que uma pessoa foi criada. Ademais, é necessário declinar alguns termos úteis relacionados à teoria de valores: cognitivo, não-cognitivo; absoluto, relativo; natural, não-natural, sobrenatural; existencialista, justificável e não-justificável; divino e humano.

Diante disso, basta uma simples olhadinha no panorama geral da vida moderna, notadamente na vida urbana, para constatar que as nossas prioridades estão invertidas; isto é, estamos todos, ou quase todos, lutando por valores instrumentais (bens de consumo).  Enquanto que o conhecimento (como verdade), no dizer de Nicolai Hartmann; os valores morais  (como o bom); os valores vitais (saúde e bem-estar) estão relegados ao terceiro plano.

Torna-se necessário, a esta altura da reflexão, perguntar qual é a principal preocupação que polariza, atualmente, nossa vida, e o que colocamos acima de tudo, nesta fase de nossa existência? Ou numa introspecção, me perguntar o que, atualmente, me empurra a viver, centraliza o meu existir e dá sentido a tudo o que eu faço? Como posso saber se os valores que acato, respeito, prezo e vivo são verdadeiramente valores corretos? Será que o que eu penso, digo, faço, acato e vivo, não atenta contra algum aspecto da dignidade humana, entre outras coisas. Por exemplo: sair por em nome de alguma tara, fazendo apologia da pornografia.

 Não seria, também, essa inversão de valores que suscita a pobreza; os famintos, o favelado, o menino de rua abandonado, pelo pai desempregado; a alarmante exploração sexual infantil; a tirania política, a maldade e o cinismo dos vendedores de drogas? Igualmente, não seria essa inversão de valores que produz e causa sociedades egoístas, alheias à neurose do tempo presente e que leva o homem ao vazio existencial. Daí, os altos índices de suicídios entre, principalmente, os jovens que por não atingirem patamares de status social “valorativo”, entram em desespero de morte.

Alguém tem dito que o problema consiste no conceito que temos de valor. Qual é o teu conceito sobre valor, leitor? Se for de poder aquisitivo: móveis e imóveis; bens de consumo, etc. lamentavelmente, na tua apreciação, eu hoje não estou valendo quase nada, pois, enquanto entabulo esta opinião, tenho apenas, míseros R$ 9,00 reais na minha conta poupança. Outra coisa: quanto vale um homem comum no Brasil? Não sabe? Eu sei: Um salário mínimo!

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