Julgamento de policial é adiado e famílias trocam acusações

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A notícia do adiamento do julgamento do policial civil José Castelo Branco, de ontem, para a próxima quarta-feira, 18, resultou em confusão generalizada na frente da Vara do Tribunal do Júri Popular, instalada na Faculdade da Amazônia Ocidental – Faao, na Estrada Dias Martins. Quando o juiz Anastácio Lima de Menezes anunciou a decisão houve protesto.

Começaram os xingamentos por parte de familiares da vítima do policial, o fiscal de Gildecir Bonfim Mendonça, morto a tiros no dia 15 de fevereiro deste ano, no interior de um bar no Conjunto Nova Esperança. No momento da retirada do réu, familiares do acusado e da vítima trocaram agressões verbais e só não partiram para as vias de fato graças a ação dos homens da Polícia Militar.

O clima era de revolta e indignação de ambos os lados. Portando faixas e cartazes com pedido de justiça, amigos e familiares da vítima se mostraram contrariados à decisão de mudança de data do júri, motivada por pedido formulado pelo advogado de defesa, Sanderson Moura, em virtude da ausência de uma testemunha.

“O julgamento só foi adiado por causa da manifestação em prol da paz, previamente divulgada pela família da vítima. Não podemos nos calar diante de um ato covarde cometido por alguém que é pago para nos dar segurança”, disse carregada de emoção a advogada e ativista dos direitos humanos, Nazaré Gadelha.

No interior da faculdade, os familiares do acusado aguardavam ansiosos o momento do seu retorno ao presídio esta-dual Dr. Francisco de Oliveira Conde. O próprio réu se demonstrava temeroso em passar pela frente da multidão que se aglomerava em frente ao local. Cercado de policiais militares, ele foi conduzido, sob o protesto dos manifestantes.

Com um terço nas mãos, uma irmã do acusado desafiava os manifestantes. O mesmo foi feito por um dos filhos do policial, que teve que ser contido pelos demais familiares para não partir para cima da multidão. A assistente social Meire Carla, sobrinha de Castelo Branco, falou em nome da família do acusado.

“A sociedade tem que saber que o José Castelo Branco não é um monstro como estão falando. Ele tem 26 anos de bons serviços prestados à sociedade, qualquer pessoa está sujeita a cometer um delito, ainda mais quando é provocada, como ocorreu com o meu tio”, disse.

O CRIME – O crime ocorreu no dia 15 de fevereiro deste ano, no interior de um bar no Conjunto Nova Esperança, onde vítima e acusado bebiam. Segundo depoimentos prestados em juízo, o policial ficou furioso ao ser recriminado pelo fiscal quando mexia nas cadeiras e na mesa em que a vítima e a esposa estavam sentadas.

A partir deste episódio, o acusado teria sacado de sua arma e dado início a execução. Além do homicídio de Gildecir, o policial também foi denunciado por tentativa de homicídio contra Maria Francisca Gadelha dos Santos e Cleidiane Gadelha dos Santos Monteiro.

A família do acusado conta uma versão diferente. De acordo com informações prestadas pela sobrinha de Castelo Branco, a assistente social, Meire Carla, a família da vítima nutre uma rixa antiga contra o acusado em decorrência de este ser policial e ter efetuado várias prisões de um irmão do fiscal.

“Eles ficam pousando de pessoas idôneas, mas não falam dos crimes de furto e tráfico de drogas praticados e cujas prisões foram efetuadas pelo meu tio.  No dia do crime, ele foi motivado. A vítima jogou conservante no rosto do Castelo Branco e não satisfeito o atacou com uma cadeira. Isso pode ser constatado no processo, mediante o laudo que comprova a fratura na perna do meu tio”, ataca Meire Carla.

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