Justiça macabra

A GAZETA tem divulgado constantemente a situação dos ex-guardas da Sucam contaminados pelo DDT. Mais uma vítima morreu, ontem, contaminada pelo pesticida. O intervalo entre as mortes tem diminuído.

O que revolta é que a situação dos trabalhadores que adoeceram no exercício da profissão não foi ainda reconhecida e reparada pelas autoridades brasileiras. Os ex-guardas padecem solitários entre a vida e a morte sem a assistência necessária do poder público. Por mais que alguns poucos parlamentares acreanos estejam empenhados para que essas vítimas recebam a assistência devida a situação se agrava sem solução à vista. Será que vão esperar a morte de todos para depois concederem os justos benefí-cios que lhes são devidos?

A resposta a essa questão parece macabra. Está na hora dos representantes do povo acreano e brasileiro apresentarem a essas famílias os caminhos para minimizar a dor e o sofrimento. A reparação total do dano, nesse caso, parece impossível. Mas é possível se fazer muito mais do que está sendo feito. O assunto tem que ser tratado com a seriedade e a atenção que merece. Os ex-guardas da Sucam salvaram milhares de vidas da sanha cruel da malária e hoje padecem desassistidos. É uma recompensa injusta e mortal pela dedicação que tiveram ao longo dos anos aos seus semelhantes.   

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